China ultrapassa EUA como motor de IPO de tecnologia

No segundo trimestre, empresas com sede na China arrecadaram US$ 3,5 bilhões mediante aberturas nos EUA, o maior valor desde os últimos três meses de 2007

Por O Dia

A JD.com Inc. decidiu avançar com sua abertura de capital no trimestre passado embora as ações de empresas de internet tenham despencado, a volatilidade aumentado e outras empresas de tecnologia adiado suas vendas de ações.

A JD.com continuou adiante porque tem uma coisa que muitas candidatas de capital fechado não têm: a China. O mercado on-line com sede em Pequim arrecadou US$ 2 bilhões na sua abertura em maio, convertendo-se no maior exemplo de uma tendência onde tecnologia com sede na China Continental atraiu compradores em ofertas nos EUA.

Para esses investidores, uma base crescente de consumidores de internet e os maiores retornos das empresas chinesas que operam nos EUA os encorajaram a impulsionar rapidamente as ações. No segundo trimestre, empresas com sede na China arrecadaram US$ 3,5 bilhões mediante aberturas nos EUA, o maior valor desde os últimos três meses de 2007, mostram dados compilados pela Bloomberg. Este trimestre está encaminhado para ser ainda maior, pois a abertura da Alibaba Group Holding Ltd. é candidata a virar a maior na história dos EUA.

“Até mesmo em mercados agitados, as melhores empresas na China podem conseguir ofertas”, disse Chet Bozdog, um dos diretores de investment banking internacional para tecnologia, mídia e telecomunicações do Bank of America Corp., que liderou a abertura da JD.com. “Atualmente há um interesse extra dos investidores em empresas chinesas, e é por isso que elas decidiram ir adiante”.

As empresas com sede nos EUA que realizaram aberturas de capital neste ano aumentaram em média 21 por cento desde suas estreias, mostram dados compilados pela Bloomberg. Suas contrapartes com sede na China cresceram 33 por cento após suas ofertas nos EUA.

Mercados voláteis

O maior declínio nas ações de empresas de tecnologia neste ano ocorreu antes que a JD.com começasse a promover sua abertura entre os investidores. Contudo, o cenário de fundo para sua primeira semana de reuniões com investidores, em meados de maio, foi um declínio de três dias nas ações de empresas de internet e o maior recuo do índice Standard Poor’s 500 em um mês.

Empresas com sede na China representaram 63 por cento do dinheiro arrecadado por empresas de tecnologia e internet que realizaram aberturas nos EUA nos três meses encerrados em junho, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O número de usuários de internet na China cresceu para 618 milhões e poderia ultrapassar 850 milhões de pessoas até 2015, segundo dados do governo. A McKinsey Co. prediz que o varejo on-line na segunda maior economia do mundo alcance US$ 395 bilhões no ano que vem, o triplo do seu nível em 2011.

Alibaba

Analistas consultados pela Bloomberg estimam que a cotação da Alibaba seja de US$ 168 bilhões. A empresa com sede em Hangzhou procurará vender uma participação de 12 por cento, disseram fontes do setor, o que poderia significar uma abertura de uns US$ 20 bilhões, tornando-se assim a maior da história.

Contudo, a abertura da Alibaba poderia transformar-se em uma faca de dois gumes: criando uma situação de “impossibilidade de vitória” para outras empresas chinesas, disse Jeff Sica, presidente da Sica Wealth Management LLC, que supervisiona US$ 1 bilhão em ativos. Se a abertura do gigante do comércio eletrônico for um sucesso, ela absorverá boa parte da liquidez lá; se fracassar, a decepção projetará uma sombra negativa sobre o setor inteiro, disse ele.

Se a JD.com servir de indicador, as perspectivas para a Alibaba são boas: a JD ganhou 50 por cento desde sua abertura, realizada em 21 de maio, quando suas ações foram cotadas acima da faixa promovida.

“No último trimestre, a JD.com e várias outras transações tiveram um grande desempenho, e à medida que os investidores veem isso, eles se interessam ainda mais nesse tipo de investimentos”, disse Bozdog, do Bank of America. “Antecipamos um crescimento constante no número de aberturas vindas da China”.

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