Por monica.lima

A Zuum, uma joint venture criada em 2012 entre a telefônica Vivo e a Mastercard para oferecer conta-corrente pelo celular está na reta final para fechar parceria com uma grande seguradora, que quer usar o produto para pagar mais de 14 mil corretores autônomos, disse Marcos Etchegoyen, presidente da empresa.

A Zuum tem 280 mil clientes e espera chegar a um milhão no final de 2015. Para isso, vai anunciar em breve sua entrada em São Paulo e Rio de Janeiro, ampliando a participação que está restrita a cidades menores, informa Etchegoyen. “Por enquanto é só investimento, quando chegar a 2,5 milhões de clientes pode empatar e só depois o negócio começará a dar retorno”, diz. A meta é chegar a 10 milhões de usuários. “O lucro pode vir antes se o modelo for ampliado, para vender seguros e dar crédito, por exemplo”, diz o executivo.

Apesar de novo e ainda pequeno, o mercado de meios de pagamentos eletrônicos anda muito movimentado. Todas as empresas que operam com cartões, e-commerce e mobile payment que não sejam instituições financeiras e faturam acima de R$ 500 milhões por ano vão precisar pedir licença para operar ao Banco Central (BC) até novembro próximo. Enquanto se preparam para atender as exigências, essas empresas continuam a batalha para ocupar espaços e conquistar mais clientes.

Outra empresa do segmento que adiantou seus planos para o Brasil Econômico na semana passada foi a PayU Latam. A provedora de serviços de pagamentos trará para o Brasil em outubro uma plataforma de comércio eletrônico desenvolvida especialmente para ser usada em smartphones. “Já estamos testando o produto com a Avianca”, diz Marcos Marins, diretor da PayU Latam no Brasil. O executivo, que já atuou nos bancos Chase Manhattan (que se fundiu ao J.P. Morgan), Unibanco e Redecard (atual Rede, a empresa credenciadora de cartões do Itaú), explica que o foco da PayU é 100% eletrônico. Segundo Marins, as empresas adquirentes não investem muito em pagamentos online pois 95% da movimentação é física, com cartões de plástico passando nas maquininhas — essa é a galinha dos ovos de ouro para elas. Já a PayU concorre com outras grandes no Brasil, entre elas PayPal.

Segundo Marins, a empresa “não está poupando esforços” para se adaptar às exigências do BC: “Queremos cumprir tudo antes do prazo de 5 de novembro”, diz. O executivo elogia o novo marco regulatório mas, assim como outros players, entende que haverá uma concentração natural, com fusões e aquisições. “No nosso segmento, o de serviços de pagamento, existem cerca de 200 empresas atuando hoje no Brasil, e dessas apenas cinco grandes - A PayU está entre elas”, afirma. A empresa aprovou mais de 7 milhões de transações em e-commerce, no valor de US$ 1 bilhão no primeiro semestre na região (Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, México, Panamá e Peru).

Etchegoyen, da Zuum, espera enviar ao BC o pedido de licença para operar no dia 15 de outubro. O executivo, que antes de assumir a Zuum presidiu a financeira Cetelem, do banco BNP, diz que o marco regulatório é positivo e que o BC tem atuado bem de perto com o mercado. “Mas vai demorar ate que tudo esteja regulado”, diz.

Tanto a Zuum quanto a PayU têm como sócios majoritários empresas estrangeiras. Mas a condição tem prós e contras para o desbravamento do segmento de pagamentos móveis no Brasil. As multinacionais de pagamentos online precisam adaptar suas plataformas para pagamentos parcelados e emissão de boletos bancários, coisas que não existem lá fora, afirma Jerome Pays, diretor de e-commerce da Lyra Network, empresa de origem francesa especializada na transmissão segura de transações financeiras e dona do gateway de pagamentos PayZen. “Em compensação, elas podem capitalizar sobre sua experiência em meios de pagamento ainda novos no Brasil, como o 3D Secure, plug-in que viabiliza as transações via cartão de débito e de crédito sem risco de chargeback”, acredita.

Segundo a consultoria e-bit, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 28,8 bi em 2013 e deve crescer 20% neste ano.

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