Investimento coletivo cresce no país

Anjos do Brasil estima que aporte em empresas novatas crescerá 20% este ano, ante os R$ 619 milhões de 2013

Por O Dia

São Paulo - Os investimentos coletivos em empresas novatas vêm ganhando espaço no Brasil. Os investidores anjos, como são conhecidos nessa modalidade, investiram R$ 619 milhões em projetos em 2013 e a expectativa é que este ano o volume seja 20% superior, segundo estimativa da Anjos do Brasil. A organização, sem fins lucrativos, foi criada há três anos para fomentar o investimento em projetos novos.

De acordo com o presidente da entidade, Cassio Spina, embora o porcentual de crescimento seja menor do que o registrado em 2013 (25%) o avanço é bastante relevante, principalmente num ano em que a economia do país tem apresentando fraca expansão.

Além disso, o executivo avalia que a falta de políticas para estimular a entrada de mais investidores anjo neste mercado impede uma ampliação mais forte do segmento. De acordo com ele, está tramitando no Senado um projeto de lei que estimula o setor, mas que não deve ser aprovado este ano. “Esse ano é difícil, estamos em um ano eleitoral, mas espero que em 2015 seja aprovado”, afirma.

Spina revelou que a Anjos do Brasil recebe cerca de 80 projetos por mês, sendo que de 20% a 30% são selecionados para serem apresentados aos atuais 240 investidores anjos. A região Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) recebe a maior parte dos investimentos, mas também existem grupos em Maceio e Porto Alegre. O objetivo da organização é ter projetos em todo o País.

Segundo a pesquisa divulgada com exclusividade para o Brasil Econômico — e que será lançada hoje no Congresso de Investimento Anjo da Anjos do Brasil em São Paulo — o setor de tecnologia da informação é o que atrai o maior interesse dos investidores, seguido de aplicações para móbile/smartphones, educação, saúde, e, outros. “Os projetos precisam ser escaláveis, ou seja, se multiplicar sem a exigência de aporte de capital, ter muita inovação e grande potencial de mercado”, explica.

Ainda segundo a pesquisa, o empresário é a pessoa que mais investe (49%), seguida do executivo (23%), investidor/gestor de investimentos (11%) e profissional liberal (9%). A faixa etária predominante é entre 30 e 39 anos (44%), depois vem de 40 a 49 anos (27%) e 50 ou mais (25%). Os jovens ainda são minoria e respondem por apenas 4% do total. A maior parte investe R$ 100 mil (58%) em projetos.

De acordo com Spina, para se tornar um investidor anjo basta entrar no site da organização e fazer um cadastro. Ele explica que não há uma exigência formal de investimento inicial, mas que a recomendação é de que seja investido, no mínimo, R$ 50 mil por projeto. “São investimentos de longo prazo, então recomendamos que é melhor investir em mais de um projeto para diversificar a carteira. Quanto mais diluído o capital, mais diluído é o risco”, pondera.

O presidente da Finep Inovação e Pesquisa, Glauco Arbix, ressalta a importância do investidor anjo para o sistema de inovação brasileira. De acordo com ele, a opção de reunir investidores com o único objetivo de aplicar em projetos novos dá mais segurança para quem vai fazer o aporte financeiro. “A Finep é a favor do investidor anjo e achamos que ele é a chave para a diversificação do sistema nacional de inovação no País”, afirma.

Últimas de _legado_Notícia