Por monica.lima

São Paulo - As empresas que pagam dividendos costumam ser as mais procuradas dos investidores, principalmente em momentos de fraco crescimento econômico e também de incertezas no cenário político, eventos que o Brasil está vivenciando. As do setor de energia elétrica figuram entre as escolhas dos investidores que priorizam este tipo de retorno.

No entanto, olhar só dividendo pode não ser a melhor opção ao se decidir por uma ou outra ação. Para o gestor de Renda Variável da XP Gestão, Rodrigo Furtado, é essencial que o investidor observe duas parcelas fundamentais ao escolher um papel para investir no mercado acionário: a expectativa de retorno do dividendo e também do retorno das ações.

O executivo cita um exemplo recente que levou muitos investidores a ter o seu investimento reduzido por só pensar no dividendo.

De acordo com ele, no final do ano passado a expectativa de retorno do dividendo da Oi era de cerca de 15% do valor da ação, no entanto, no ano, o papel está caindo mais de 60%. “Ou seja, o investidor que pensou só no dividendo está perdendo 45% do investimento total. É muito importante olhar a composição, ou seja, potencial de valorização das ações e perspectiva de retorno de dividendo", explica.

Um levantamento feito pela Easynvest Título Corretora de Valores S/A, a partir do banco de dados da Economatica, mostra que neste ano, até o momento, as empresas de energia elétrica lideram os pagamentos de dividendos. Algo que não aconteceu no ano passado, quando as empresas ainda estavam sob o impacto da MP que adiantou a renovação das concessões e, o fez num valor mais baixo. “Depois dessa fase, as empresas do setor começaram a se recuperar, acompanhando a performance da Bolsa. Isso justifica elas voltarem a pagar melhores dividendos”, avalia o gerente de renda variável da H. Commcor, Ari Santos. “Essas ações continuam sendo as queridinhas dos investidores”, acrescenta.

Embora esses papéis ainda sejam muito procurados, Furtado explica que eles já não têm uma participação tão relevante na carteira do fundo da XP Gestão. “O dividendo de energia perdeu espaço para o de serviços financeiros”, diz. Hoje, a carteira possui 12 ativos diferentes alocados que são distribuídos em nove diferentes setores. “O setor elétrico é 8,2% do total da carteira e serviços financeiros respondem por quase 40% do total do patrimônio do fundo”, afirma.

Furtado e Santos concordam que a empresa que paga melhor dividendo não é a que tem a melhor performance na Bolsa. O levantamento da Easynvest mostra que neste ano a B2W registra a melhor valorização e a Kroton Educacional liderou em 2013 no mesmo período. No entanto, nenhuma das duas empresas aparece entre as dez melhores pagadoras de dividendos.

No caso da B2W, Furtado explica que a valorização do papel se deu após o aporte de um investidor na empresa. "O investidor fez um aporte acima do preço de tela (preço da ação). Além de dar fôlego para a empresa, o investidor sinalizou para o mercado que enxergava valorização do ativo. Isso levou outros investidores a procurar a ação", diz.

No caso da Kroton, Furtado explica que o setor tem a seu favor o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) do governo que permitiu que cerca de 20 milhões de pessoas tivessem acesso a universidade. “Era uma demanda que não existia, isso justifica o resultado financeiro que vem apresentando”, afirma. Santos pondera que se mudar algo no Fies pode haver uma reversão no resultado da empresa.

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