Segundo semestre começa positivo para os fundos de investimentos

Até 12 de agosto entraram R$ 21,6 bilhões líquidos, o maior volume em em um terceiro trimestre desde 2011

Por O Dia

O segundo semestre começou bem para a indústria de fundos de investimentos. O terceiro trimestre está apenas na metade mas a captação dá sinais de forte recuperação. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) de 1º de julho e 12 de agosto a captação líquida atingiu R$ 21,56 bilhões — no mesmo período do ano passado, houve saída líquida de R$ 16,63 bilhões e no terceiro trimestre de 2012, entraram só R$ 7,73 bilhões.

O problema é que a recuperação pode não se sustentar, uma vez que as aplicações estão fortemente concentradas em fundos DI, que tem grande liquidez, em que o cotista pode entrar e sair com facilidade sem carência. Somente neste ano essas carteiras captaram R$ 35,83 bilhões.

“O Brasil ainda é o país da América Latina em que o setor de fundos mais cresce. A taxa de juro alta é o principal atrativo para os investidores. No entanto, o setor tem perdido espaço para produtos voltados para o varejo que são isentos de impostos”, diz o vice-presidente de investimentos da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello. “Hoje esse tipo de produto é matador. Falta isonomia”, diz, referindo-se a instrumentos como Letras de Crédito Agrícola (LCA) e imobiliário (LCI). “Não vejo investidor de LCA ou LCI migrando, a não ser que taxa de juro recue”, avalia.

De acordo com levantamento da SulAmérica Investimentos, atualmente os fundos de curto prazo, referenciado DI, renda fixa e multimercados respondem por 67% do patrimônio líquido da indústria de fundo. No entanto, a última captação líquida positiva nos fundos de renda fixa se deu em 2012. Desde então, renda fixa e multimercados vem apresentando captação líquida negativa. De fato, segundo os dados da Anbima, neste ano os fundos de renda fixa — os que mais sofrem com a concorrência desses títulos isentos de impostos — perde R$ 17,53 bilhões.

Mas Mello acredita que o setor deve voltar a crescer duas casa decimais a médio e longo prazos. A estimativa é baseada na expectativa de que a atividade econômica deve avançar mais vigorosamente neste período, a inflação vai estar mais próxima do centro da meta do que do teto e o juro básico deve voltar a cair. “Estamos otimistas com o longo prazo. No curto prazo há muito ruído. Estamos nos preparando para o momento de maior propensão ao risco, daqui a dois ou três anos”, afirma.

Mello ressalta ainda que a fraca captação dos fundos de renda fixa deve-se ao desempenho dos títulos pré-fixados e dos atrelados à inflação, combinado com o desempenho pouco animador do mercado de ações. E também da piora da expectativa da inflação, e do risco de alta dos juros internacionais, que têm boa correlação com os juros locais.
Embora o cenário não seja muito promissor no curto prazo, Marcelo Saddi, diretor de renda fixa da SulAmérica Investimentos, também não descarta uma reversão do movimento, com o investidor saindo dos papéis de varejo e voltando para os de renda fixa já no ano que vem. De acordo com ele, tudo vai depender de como o novo presidente da República irá comandar a política econômica a partir de 2015. “Depende das propostas dos candidatos. É difícil prever”, afirma.

Saddi, no entanto, avalia que se o novo presidente assumir o tripé econômico (meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário) isso indicará comprometimento com a condução da economia no país e pode fazer com que os investidores busquem um melhor retorno com um pouco mais de risco. “O investidor não gosta de imprevisibilidade. Se o novo presidente se comprometer com a economia e passar essa mensagem pode haver uma mudança de tendência”, afirma o executivo.

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