Por douglas.nunes

Até o final do ano a Cetip, integradora do mercado financeiro, pretende entregar ao Banco Central o pleito formal para a criação da contraparte central (CCP, central conterparty), com foco em derivativos de balcão e empréstimos em títulos privados. Também neste período, a integradora espera que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) coloque em discussão a oferta pública dos Certificados de Operações Estruturadas (COEs) .

De acordo com o gerente executivo de produtos e negócios da Cetip, Fábio Zenaro, a empresa está realizando todos os procedimentos e se preparando para virar uma contraparte. “O processo está em desenvolvimento, estamos realizando conversas com o BC e ainda não fizemos o pleito formal. Queremos deixar toda a lição de casa feita”, diz. “Gostaríamos que fosse este ano (entrega do pleito), mas é um processo longo. Depois de encaminhado o pleito, tem o ‘timing’ do BC, não dá para falar em data”, diz, referindo-se ao início da CCP.

Gerente executivo da Cetip%2C Fábio ZenaroPatricia Stavis / Agência O Dia

Zenaro ressalta que um item importante para a Cetip é a concepção do gerenciamento de riscos. “Nossas equipes estão trabalhando neste processo”, diz. A CCP vai dar mais suporte às atividades que a Cetip já realiza em derivativos de balcão e também para o desenvolvimento de um mercado de empréstimos de títulos de renda fixa.

Ao entrar neste mercado, a Cetip encontrará um forte concorrente, a BM&FBovespa que já atua com contraparte central em derivativos. Zenaro afirma que as duas empresas serão concorrentes e que os principais diferenciais serão: qualidade e variedade dos produtos. “Redução de custo é importante, mas vamos buscar oferecer produto de melhor qualidade e maior valor agregado”, diz, lembrando ainda que Cetip e BM&FBovespa já competem no derivativo de balcão.

Sobre o mercado de COEs, o executivo acredita que ele só irá deslanchar após a autorização para oferta pública. Atualmente, as regras determinam que os COEs só podem ser oferecidos para clientes do banco e, ainda assim, com restrição. De acordo com Zenaro, a partir do momento que houver esta autorização o mercado ficará mais pulverizado, com mais distribuidores. Ele acredita que este pode ser um instrumento de negociação importante para as corretoras ampliarem seus negócios. “Hoje alguns bancos estão fora deste mercado porque não têm opções de distribuidores, com a oferta pública autorizada as corretoras poderão fazer este papel”, diz. “A CVM já sinalizou que o tema deve entrar em audiência pública no fim do ano e, se tudo correr bem, deve entrar no mercado no primeiro semestre de 2015”, explica.

De acordo com Zenaro, o primeiro ano do produto é o momento de amadurecimento, onde os bancos estão treinando as equipes e desenvolvendo sistemas, e os clientes estão conhecendo o produto, por isso, o volume pode ser fraco. De acordo com a Cetip, até o último dia 10 foram realizados 17.459 operações de COE e o volume de estoque era de R$ 3,2 bilhões. Hoje, 13 bancos oferecem o produto.

Os COEs podem ser indexados pela inflação, câmbio, ações e índices de ações, commodities e ações e índices de ações externos. Quando dividido por classe de indexador, inflação lidera, com 36,8%, seguido de câmbio, com 35,8% e ações e índices de ações, 27,3%. Na lanterninha, commodities responde com apenas 0,1% do total. “É natural que esses sejam os mais líquidos, são de mais fácil compreensão”, avalia.

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