Por douglas.nunes

O Santander Brasil está trilhando caminhos pouco explorados pelos concorrentes para manter aquecidas suas operações chamadas de “credit markets”. A área que estrutura financiamentos para aquisições, investimentos, alongamento de passivos e otimização de estrutura de capital, entre outros, faz desde emissões de títulos de renda fixa até empréstimos sindicalizados e, mais recentemente, também está desenvolvendo soluções de engenharia financeira sofisticadas, que envolvem concessões de empréstimos via compra de ações das próprias empresas contratantes.

Nesta modalidade, o banco empresta dinheiro comprando ações preferenciais — em vez de cobrar juros, a remuneração do empréstimo vem por meio de dividendos, e o retorno do investimento pode ser feito com uma opção de “put” (um contrato de opção de venda de ações) “contra” o sócio da empresa. Em determinado prazo, e/ou quando a ação chegar a um preço combinado, o sócio é obrigado a recomprar as ações.

“Financiar um cliente por meio da compra de ações tem vantagens tributárias”, diz Ignacio Lorenzo, superintendente da área no Santander. Mas ele esclarece que essas operações são pontuais e oferecidas só para grandes conglomerados com ações e grande liquidez em Bolsa. “Empréstimo sindicalizado, por sua vez, não é complicado de fazer — mas os bancos só costumam oferecê-lo para grandes empresas”, diz.

O banco também decidiu focar em diferentes perfis de clientes — empresas menores, com faturamento em torno de R$ 100 milhões (que normalmente não tem acesso a operações estruturadas de financiamento nos outros bancos), bem como nos setores público, de saúde e educação.

Desde o ano passado, seguindo uma orientação global, a área passou a reunir, também no Brasil, as equipes de estruturação com as de distribuição sob o guarda-chuva de Ignacio Lorenzo. “É um modelo totalmente diferente do que há no mercado”, diz. “Além de pensar a operação e fazer todas as análises, também acessamos os investidores e bancos parceiros para o negócio”, explica.

“E ao contrário do que fazem grandes bancos de investimento internacionais que atuam aqui, nós temos o ‘cheque’ — ou seja, dinheiro para investir. Isso significa que, se for o caso, ficamos com o título do cliente e distribuímos posteriormente, em momento oportuno”, diz, referindo-se a casos em que o banco estrutura uma emissão de debêntures, por exemplo, e mantém os papéis em tesouraria até o melhor momento de vender no mercado. “Os estrangeiros atuam apenas na consultoria e modelagem, mas como não tem ‘balanço’ aqui, não tem os recursos para os financiamentos”.

Lorenzo afirma ainda que outro diferencial do Santander é manter uma equipe de research (pesquisa) que ajuda a colocar no mercado papéis “menos óbvios”: “A equipe destrincha a empresa, analisa todos os múltiplos e abre a análise para os investidores interessados”, explica. O banco também participa de operações de venda alavancada (leverage buyout, em inglês) — coloca dinheiro em uma empresa para “arrumar a casa” e vender a um preço melhor.

Apesar do desaquecimento da economia, Lorenzo diz que a área conseguiu crescer no ano passado e mais ainda neste ano, mas não revela o percentual nem o volume das receitas obtidas pelo banco com as operações.

A diretoria de credit markets do Santander Brasil é composta por quatro áreas distintas: debt capital markets (DCM), responsável pelas emissões de títulos de renda fixa no mercado de capitais; project finance, ligada à estruturação e assessoria financeira de projetos; structured lending & distribution (SL&D, a de Lorenzo), que estrutura operações de financiamento a aquisição de empréstimos sindicalizados; e asset & capital structuring (A&CS), responsável, entre outras atividades, por fazer investimentos proprietários em projetos de infraestrutura e energia renovável. Em 2013, a receita de “credit markets” cresceu 19%, enquanto o volume de sua carteira de ativos avançou 9%.

“Estamos atentos a oportunidades fora do ciclo econômico”, diz Lorenzo. O Santander tem 500 empresas enquadradas no global banking & markets (GBM) — que são atendidas pelo banco globalmente — cerca de quatro mil do segmento corporate e agora mira as de varejo (aquelas com faturamento entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões).

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