Por parroyo

O presidente do Banco Central Europeu prometeu iniciar um programa para comprar títulos garantidos por ativos (ABS) a partir do quarto trimestre de 2014 e bônus com garantias hipotecárias devem começar em meados de outubro.

Porém, as compras iniciais nesses mercados provavelmente sejam modestas, segundo dois funcionários de bancos centrais da Zona do Euro, que solicitaram o anonimato porque o assunto é confidencial. Isso deixará os investidores na dúvida sobre o escopo das intenções dele hoje, pois estão apostando que o BCE vai aumentar a variedade de títulos que pode comprar.

Os responsáveis pelas políticas econômicas, reunidos na Itália para tomarem sua decisão mensal, estão pressionados para agir depois que a promessa de Draghi de acrescentar até 1 trilhão de euros (US$ 1,3 trilhão) ao balanço do BCE não conseguiu conter as apostas numa piora da perspectiva de preços na zona do euro. 

“Para ter um efeito imediato sobre as expectativas de inflação, parece importante uma implementação rápida”, disse Johannes Mayr, economista do Bayerische Landesbank em Munique. “No curto prazo, há espaço para decepções, dada a falta de ativos disponíveis, o que aumentaria a pressão para expandir. Draghi deveria se mostrar muito aberto a isso”.

Retornos mais altos

Os pedidos de compras de bonds governamentais aumentaram de intensidade desde o mês passado, quando uma oferta de empréstimos sem colaterais aos bancos atraiu uma demanda fraca. Os responsáveis pelas políticas econômicas estão em Nápoles para uma das duas reuniões que são realizadas fora de Frankfurt a cada ano. O BCE anunciará sua decisão sobre as taxas de juros amanhã às 13h45, horário local, e Draghi realizará uma conferência de imprensa 45 minutos depois.

Todos os economistas consultados numa pesquisa da Bloomberg News preveem que os funcionários mantenham a taxa de juros de referência em 0,05 por cento e a taxa de depósitos em -0,2 por cento. Isso transfere o foco para o plano de aquisições de ativos do banco central e para quanto Draghi tem a dizer sobre o tamanho e a duração dele.

Os investidores no mercado europeu de títulos públicos garantidos por ativos, de US$ 317 bilhões, tiveram os melhores retornos em 20 meses em setembro, depois que Draghi apresentou seu plano no dia 4 de setembro. Ele prometeu revelar detalhes do programa após a reunião de outubro.

Tamanho do mercado

As compras de ativos planejadas são a mais recente tentativa do BCE para levar dinheiro às empresas e evitar que a economia do bloco de 18 países caia em deflação. Os preços ao consumidor subiram 0,3 por cento anual no mês passado, o menor aumento em quase cinco anos. O indicador preferido pelo banco central para as expectativas de inflação no médio prazo prolongou seu declínio.

No mês passado, Draghi disse aos legisladores europeus em Bruxelas que os funcionários estão considerando “uma variedade bastante ampla de títulos garantidos por ativos simples e transparentes” e que o mercado crescerá como resultado da presença do BCE. As compras incluirão os títulos garantidos por ativos já existentes e os recentemente criados, bem como aqueles garantidos por propriedades residenciais.

Caso o plano não consiga impulsionar a perspectiva para os preços ao consumidor, é possível que Draghi tenha que passar para compras de grande escala de dívida governamental. Esta medida ameaça aumentar uma disputa no Conselho do BCE, onde Jens Weidmann da Alemanha já se opôs ao plano com títulos garantidos por ativos.

“A credibilidade do BCE está em jogo, portanto o banco não pode permitir que a inflação e as expectativas de inflação continuem fora da meta por muito mais tempo”, disse Andrew Bosomworth, gerente de carteira da Pacific Investment Management Co. em Munique. “Eu estou a favor de que a flexibilização quantitativa seja a ferramenta central das políticas”.

Juro

A autoridade monetária deixou a sua principal taxa de juros inalterada, no valor historicamente baixo 0,05%, em vigor desde setembro, anunciou um porta-voz nesta quinta-feira.

A grande maioria dos analistas não previa modificações na taxa, que serve de referência para o custo do crédito na Eurozona.

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