Cooperativas poderão emitir letra financeira

Segundo presidente da Unicred, terceiro maior sistema do país, este e outros pleitos do setor estão em estudo pelo Banco Central e podem ser aprovados no mês que vem

Por O Dia

As cooperativas de crédito estão a um passo de receber aprovação para emitir letras financeiras (LF), títulos de captação usados pelos bancos. Esta é uma das reivindicações do setor ao Banco Central (BC), informa Léo Trombka, presidente da Unicred — um dos três maiores sistemas de cooperativas de crédito do país.

Procurado, o BC disse, por meio da sua assessoria de imprensa, que “não comenta decisões futuras”. O BC está empenhado no crescimento do setor - que concorre com os bancos - e, para isso, tem se empenhado em reforçar a regulação. No mês passado, reuniu 150 representantes do setor para discutir governança e, no próximo dia 21, haverá uma segunda rodada para conclusões. Na apresentação de 30 de setembro, José Angelo Mazillo Júnior, do Departamento de Supervisão de Cooperativas de Crédito e Instituições Não-Bancárias do BC disse que “o regulador deseja o desenvolvimento do Sistema Nacional das Cooperativas de Crédito” e que, para isso, estabeleceu uma agenda conjunta com o setor para discutir iniciativas regulatórias concluídas ou em andamento, entre elas o balanço combinado e a criação de cooperativas de livre admissão.

O Projeto da Auditoria Cooperativa (EAC), que segundo Mazillo Junior está “em andamento”, deve ser anunciada no VI Fórum do Banco Central sobre Inclusão Financeira. No ano passado, durante o V Fórum, foi anunciada a criação do Fundo Garantidor de Crédito Cooperativo (FGCoop). “Fazemos praticamente tudo o que faz um banco — temos corretora, fundo de previdência, concedemos crédito e fazemos aplicações, com exceção de caderneta de poupança. E temos a vantagem de ter taxas melhores e sem a estrutura pesada de um banco”, diz Trombka.

O estímulo do BC a instituições não bancárias é um esforço evidente para a bancarização maior da população, oferta em locais e meios ainda não alcançados pelos bancos convencionais e, principalmente, pela redução do custo. “Como as cooperativas não tem objetivo de lucro, podem cobrar taxas mais baixas. Em crédito e planos de previdência, somos imbatíveis”, diz Trombka, embora reconheça que em termos de remuneração das aplicações, sejam “competitivas”. Hoje, as cooperativas recebem investimentos dos cooperados e aplicam os recursos em fundos e títulos de outras instituições - a possibilidade de emitir LF pode melhorar a competitividade das cooperativas nesse quesito. “O crescimento das cooperativas é muito mais acelerado do que o dos bancos”, diz Trombka, citando números apresentados pelo BC, comparando a evolução das cooperativas com a dos quatro bancos privados que atuam no Brasil. Desde dezembro de 2008 até junho último, o aumento dos ativos, crédito, depósitos e patrimônio líquido das cooperativas ficou entre 20% e 26% ao ano - ou seja, a cada três ou quatro anos o sistema dobra de tamanho. No caso dos quatro bancos os percentuais ficaram em torno de 12% ao ano.

No entanto, a participação das cooperativas no total do sistema financeiro nacional é ainda muito pequena. Em relação aos ativos, os R$ 185 bilhões das cooperativas representa só 2,7% do SFN; o total de crédito, de R$ 79 bilhões, é 2,8%; depósitos somam R$ 91 bilhões (4,7% do SFN) e patrimônio líquido, R$ 8,6 bilhões (4,8% do total do sistema). Os bancos - incluindo os de desenvolvimento - tem 96,6% do crédito no país. E as instituições não-bancárias, 0,7%, segundo o BC.

Trombka, que também é médico cardiologista, assumiu a presidência da Unicred Nacional em maio. Antes, esteve à frente da Unicred regional do Rio Grande do Sul. A Unicred tem 49 cooperativas singulares em 24 estados, 8 unidades regionais e a Confederação Nacional, com sede em São Paulo. No pais tem quatro sistemas e 1.126 cooperativas.

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