Por monica.lima

São Paulo - A MasterCard está negociando parcerias para facilitar a recarga de cartões pré-pagos que usam sua bandeira. O objetivo é tornar o carregamento dos plásticos tão simples e acessível quanto é hoje em dia com celulares pré-pagos — que podem ser recarregados em bancas de jornais, supermercados e outras redes varejistas. “Teremos novidades nesse sentido no primeiro trimestre do ano que vem”, informou Alexandre Brito, vice-presidente de aceitação e fusões & aquisições da MasterCard no Brasil. Para ele, popularizar a recarga de cartões pré-pagos é fundamental para crescimento do uso da modalidade.

“Para fazer o pré-pago acontecer, precisa criar mais alternativas de locais para fazer a recarga de dinheiro. Estamos conversando com players que estão nesse mundo da recarga — que não necessariamente sejam adquirentes, como a Cielo e a Rede, por exemplo. É uma evolução do que existe hoje”, completa.

Os cartões pré-pagos são carregados normalmente via transferência bancária pela internet ou pagamento de boleto na rede de agências de bancos — que podem ser emissores dos cartões, ou conveniados a instituições de pagamento não financeiras, como a Zuum (empresa emissora que nasceu da parceria da MasterCard com a Vivo).

Os usuários em potencial para os cartões pré-pagos são os não-bancarizados, gente sem conta em banco, de renda mais baixa. Uma das dificuldades para esses cartões crescerem é exatamente a limitação das possibilidades de recarga ao sistema bancário.

Hoje em dia é possível recarregar em alguns estabelecimentos nas maquininhas dos adquirentes tradicionais, mas é ainda em pequena escala. “Os cartões que já vem carregados, como os vale-alimentação e vale-refeição, são usados”, diz Brito. Com a novidade, o portador do cartão poderá carregar no estabelecimento comercial; ele dá o dinheiro em espécie, digita o número e recarrega, explica o executivo.

Brito diz que está faltando adaptar o sistema de recarga de celular, que é um pouco diferente, pois a pessoa compra minutos, que é uma mercadoria — não compra dinheiro.

O mercado de cartões pré-pagos deve movimentar R$ 117 bilhões em 2017, segundo previsões do Grupo Setorial de Pré-Pagos (GSPP). Em 2020, o GSPP prevê que 10% das transações com cartões serão realizadas com pré-pagos.

O executivo reforça, ainda, que a MasterCard continua investindo em soluções de tecnologia para a indústria de cartões. E que está de olho em novas aquisições. “Desde que o indiano Ajay Banga assumiu a presidência global da MasterCard, a companhia já investiu mais de US$ 2 bilhões em fusões, parcerias e aquisições”, lembra. O executivo não adiantou os próximos passos, mas garantiu que além da investido em recarga de cartões, a MasterCard tem outras iniciativas no forno.

“O que não falta é oportunidade, o que não falta é mercado para crescer. Hoje no Brasil existem 17 milhões de estabelecimentos comerciais mas apenas 14% aceitam cartões”, lembra. Além do consumo das famílias, há espaço para explorar entre empresas. “O setor de cartões precisa conquistar esses que ainda não estão usando, anda tem muita oportunidade para crescer. Mas não só. Também tem setores que já aceitam em pequena escala e podem ampliar. Estamos no momento negociando com um desses que está dando bastante trabalho para conquistar, precisamos entender como funciona a cadeia inteira para saber como podemos ajudar”, diz. A MasterCard tem soluções de “gateway” de pagamento, e-commerce, conectividade, até de informação para ajudar os clientes a tomarem decisões.

Outra frente onde a companhia vem investindo no Brasil é na carteira digital, a MasterPass. Na semana passada, o “botão” entrou nos sites do Barateiro e do Extra. “Para o negócio funcionar, tem que ter aceitação; estamos trabalhando os grandes estabelecimentos que tem maior dominância no mercado de e-commerce, mas nos pequenos também”, informou Brito.

Ele explica que o grande problema dos e-commerces é a baixa taxa de conversão em compras efetivas, ou check out; é um longo processo de preenchimento de cadastro, número do cartão... e nesse meio tempo pode tocar o telefone, a campainha, pode cair a internet... A MasterPass armazena essas informações todas e o consumidor pode finalizar sua compra apertando um único botão”, diz.

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