Por bruno.dutra

São Paulo - A AIG lança hoje no Brasil o primeiro seguro de gestão empresarial. Batizado de Gestão Protegida 360°, o produto cobre reclamações recorrentes de atos de gestão, como assédio moral, problemas com órgãos reguladores, além de ações e decisões inadequadas de gestores e diretores. O seguro, que já existe em diversos outros países onde a seguradora atua, é limitado a empresas com faturamento de até R$ 200 milhões por ano.

“O seguro D&O (directors & officers, ou diretores e executivos, em inglês), que cobre multas e outras custas em processo devidas por executivos, não era suficiente para essas empresas menores, onde o executivo normalmente é também o sócio”, diz Lucas Scortecci, gerente de produtos financeiros da AIG no Brasil. Assim, além de pagar com seu patrimônio pessoal, o gestor acaba pagando também pela empresa da qual é dono. Para grandes empresas, o seguro é inviável — nenhuma seguradora quer correr o risco de proteger patrimônios gigantes.

Segundo Scortecci, o Gestão Protegida 360º é uma revolução nos seguros de gestão. “O pequeno e médio empresário tem muita preocupação com reclamações contra a gestão da sua própria empresa. Para ele, não é suficiente cobrir apenas as reclamações contra a pessoa física. Essa possibilidade não existia até o lançamento desse produto”, afirma.

A nova apólice da AIG tem escopo amplo de cobertura, incluindo reclamações de funcionários passados e atuais, além de problemas com clientes e fornecedores. Mesmo atividades fraudulentas realizadas por terceiros em nome da sociedade, sem a anuência da mesma, e que causem prejuízos a outros terceiros estão cobertas no seguro. “Este produto protege o balanço patrimonial da companhia e pode ser decisivo para a continuidade da operação de uma empresa desse porte”, reforça Scortecci.

É uma evolução do seguro de gestão, o D&O, lançado na década de 1990 — que é interessante para grandes empresas, onde executivos são empregados. Quando a empresa é menor, a solução D&O, que só cobre patrimônio da pessoa física, é insuficiente.

As metas de crescimento para o produto não estão definidas, mas a oportunidade é enorme, diz Scortecci. Segundo ele, existem hoje 13 milhões de CNPJs ativos no Brasil, dos quais 2 milhões estão na faixa de R$ 3,6 milhões a R$ 200 milhões de faturamento — e somente cinco mil dessas empresas contratam seguro de D&O. “A penetração é muito pequena, de apenas 1%”, diz. Segundo o executivo, a primeira razão é porque o mercado realmente ainda não amadureceu no Brasil — mas a segunda é que D&O não é solução completa para PMEs.

Há uma terceira razão, diz Scortecci: a dificuldade de contratação. E a AIG também quer solucionar isso. “Nossa proposta é vender massificado, fazer a oferta a preço pré-fixado para apólices que sigam certos parâmetros, como faturamento da empresa, setores, e quantidade de litígios passados”, informa. Com isso, o custo pode ser reduzido — mas Scortecci acredita que o Seguro 360° fica dentro do que empresas com faturamento acima de R$ 3,6 milhões por ano podem pagar. O executivo explica que o preço é determinado pela análise de risco, por sua vez baseada na análise das informações financeiras e no histórico de litígios das empresas.

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