Por monica.lima
Publicado 04/11/2014 10:38 | Atualizado 04/11/2014 10:40

Maior banco do Reino Unido, o HSBC divulgou lucro no terceiro trimestre abaixo das expectativas do mercado, em virtude do desembolso de mais de US$ 1 bilhão em compensações a clientes prejudicados e na provisão de reservas para as investigações sobre irregularidades no mercado de câmbio internacional.

O lucro antes de pagamento de impostos foi de US$ 4,61 bilhões, superior aos US$ 4,53 bilhões registrados em igual período de 2013. Porém, abaixo das estimativas dos analistas financeiros, que previam um ganho de US$ 5,47 bilhões. O banco teve que provisionar US$ 378 milhões a mais para um acordo no mercado de moedas e US$ 700 milhões extras para reparação judicial a clientes prejudicados.

Na América Latina, o lucro antes de impostos foi de US$ 96 milhões, uma queda de 56,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Embora o balanço do Brasil não tenha sido apresentado, o HSBC informou que o desempenho do país foi influenciado por uma mudança na composição da carteira de crédito, em direção a operações mais seguras e de retorno menor.

“A América do Norte e a América Latina, notadamente o Brasil, foram afetados por uma mudança na composição dos portfólios de crédito, uma vez que operações mais seguras e com menores spreads representaram uma grande proporção da carteira”, informou o banco.

O HSBC também anunciou um total de US$ 486 milhões em perdas com empréstimos e outras provisões para risco de crédito na América Latina, queda de 21,1% em relação a igual período de 2013. “No Brasil, a queda refletiu principalmente mudanças no modelo de perdas e revisões no portfólio de empréstimos feitos em 2013 na área de banco de varejo e gestão de fortunas e no banco comercial”, destacou.

Para David Costa, reitor do Robert Kennedy College, em Zurique, o HSBC enfrenta um “ambiente regulatório extremamente desafiador”. Segundo ele, o banco avançou muito ao se alinhar e atingir os níveis atuais de compliance e risco estratégico. “Esse processo toma tempo e, além disso, muito dinheiro, por causa das multas que são pagas ao longo do caminho”.

O CEO do HSBC, Stuart Gulliver, afirmou em comunicado que “o terceiro trimestre foi um período de contínuo crescimento (nos ganhos) antes de impostos. Aumentamos os lucros subjacentes em todos os nossos negócios globais e mantivemos um balanço sólido e uma forte capitalização”. Gulliver já encerrou as atividades do banco em 68 segmentos de negócios desde que assumiu o cargo, em 2011.

Paralelamente, direcionou os investimentos para mercados mais lucrativos, em meio a endurecimento da legislação e aumento dos cursos com compliance nos EUA e na Europa. O banco, que obtém a maior parte de seu faturamento com as operações na Ásia, provisionou ao longo do ano, US$ 1,97 bilhão para ressarcir clientes, encerrar litígios e pagar multas.

“Os custos básicos para um banco global como o nosso são mais altos do que eram porque incluem os custos com compliance e adequação à regulação que historicamente seriam usados como investimento” disse Gulliver. O CEO também afirmou que o banco não deverá atingir a meta de reduzir as despesas a 55% das receitas até 2016. Atualmente, essa proporção é de 62,5%.

Com as provisões declaradas pelo HSBC, cresce para US$ 2,4 bilhões o montante que os bancos separaram para negociar acordos sobre acusações de que operadores compartilharam informações sobre as posições e ordens de seus clientes para manipular o mercado de câmbio internacional, que movimenta cerca de US$ 3 trilhões ao dia.

“Discussões em andamento com a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido buscam uma solução para a investigação sobre o mercado de câmbio”, anunciou o banco em comunicado. “A resolução deve envolver o pagamento de uma penalidade financeira significativa”. O HSBC foi multado em U$ 550 milhões em virtude das acusações de má conduta ao manipular ativos hipotecários vendidos a clientes antes da crise financeira.

A unidade global que abriga as atividades de banco de investimento registrou um lucro de US$ 491 milhões, queda de 49% em relação ao resultado de igual trimestre no ano passado. Já as receitas obtidas no segmento de mercados, que incluem as operações de crédito, câmbio, juros e ações foram de US$ 1,87 bilhão, acima dos US$ 1,58 bilhão registrado no segundo trimestre.

“Os custos operacionais nos segmentos de global banking e mercado aumentaram em virtude de todas as multas regulatórias”, disse a analista da Cenkos Securities, Sandy Chen”. “Apesar dessas multas e da expectativa de que mais estão a caminho, reduzindo a lucratividade, consideramos a marca HSBC resistente”

O lucro atribuído acionistas cresceu 7%, para US$ 3,4 bilhões, enquanto as despesas operacionais aumentaram 16%, para US$ 11,1 bilhões.

O HSBC contratou no último trimestre cerca de 1,4 mil novos profissionais para a área de compliance, que já abriga 6,6 mil funcionários. Segundo Gulliver, até o final do ano, o banco estará empregando 7 mil pessoas nesse segmento.

Para o chairman Douglas Flint, a nova regulamentação é “desproporcional” ao gerar entre seus funcionários a aversão ao risco. Segundo ele, os gastos anuais do banco com compliance aumentaram em US$ 1 bilhão em relação ao montante gasto há quatro anos.

A região de melhor desempenho do HSBC foi a Europa, com lucro antes de impostos de US$ 493 milhões, contra o prejuízo de US$ 45 milhões no mesmo período do ano passado. Segundo o banco, os custos com a deterioração dos empréstimos caíram para para cerca de US$ 1 bilhão, em virtude da recuperação da economia e dos bancos britânicos.

Na Ásia, principal mercado do HSBC, o lucro caiu 3%, fechando o período com US$ 3,5 bilhões. No Oriente Médio e norte da África, os lucros aumentaram 28%, chegando a US$ 487 milhões. Já na América do Norte, os ganhos encolheram 85% (US$ 58 milhões). Com agências

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