Ajustes vão impor ritmo lento à economia, diz Itaú BBA

Medidas fiscais podem recuperar credibilidade do governo, atrair investimentos e fazer a economia crescer

Por O Dia

São Paulo - O ano de 2015 será um ano de ajustes, que deverão impor à economia brasileira um ritmo mais lento de crescimento. No entanto, a recuperação da credibilidade do governo pode abreviar esse período. A avaliação é do sócio do Itaú BBA e economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn.

De acordo com ele, o governo não tem outra alternativa a não ser fazer um ajuste fiscal rigoroso. “Geralmente, os ajustes acontecem quando há necessidade de criar confiança. Quando é por demanda, é outra história. Não é problema de demanda, está faltando confiança. Além de não ter alternativa, o novo governo tem boa chance de retomar o investimento e o crescimento da economia. Se é suficiente, ou não, vamos observar ao longo do tempo”, avalia.

Para Goldfajn, feitos os ajustes necessários o governo irá evitar um downgrade (rebaixamento) da classificação de risco brasileira, entretanto o desempenho econômico continuará sendo bem modesto. O economista-chefe avalia ainda que o câmbio deve se deteriorar ao longo de 2015 e chegar ao final do período a R$ 2,80 e, em 2016, R$ 2,90. Esse desempenho será influenciado pela alta do juro nos Estados Unidos. Para a taxa Selic, Goldfajn espera um aperto monetário mais lento, com o juro básico ficando em 12,50% ao ano em 2015 e também em 2016.

Durante encontro com jornalistas, o presidente do Itaú BBA, Cândido Bracher, disse ainda que os recentes casos de suposta corrupção envolvendo os contratos da Petrobras estão causando uma “paradeira” no mercado, levando os agentes a adotar uma estratégia mais cautela na relação com as empresas. Questionado se o banco havia alterado a análise em razão de algumas empresas envolvidas no caso pertencerem a sua carteira de crédito, o executivo disse que o banco tem uma análise bastante criteriosa. “Atuar em crédito é parte essencial do banco. Achamos que nossa análise sempre foi muito criteriosa, porque sempre olhamos a sustentabilidade das empresas no longo prazo e analisamos os projetos. Não acertamos sempre, mas erro, se houver, é dentro da margem aceitável”, afirma.

O Global Head da área de Research do Itaú BBA, Carlos Constantini, disse ainda que o mercado de renda variável brasileiro foi o que apresentou o pior retorno entre os emergentes e também a maior volatilidade. O executivo disse ainda que a Bolsa não está barata. “O Ibovespa alternou entre ser o pior e o melhor mercado ao longo do ano, quando comparado com a América Latina e também com mercados desenvolvidos. Não dá para dizer que a Bolsa está barata, existem papéis descontados e boas oportunidades”, disse, acrescentando que “ainda não está valendo a pena correr o risco da Bolsa. Se não houver crescimento, as ações estão caras”.

Constantini lembrou que este foi um ano fraco para o mercado de capitais, com apenas uma oferta inicial de ações (IPO) e um follow on. “Este não foi um ano fácil para o mercado de capitais, para as empresas emissoras e também para os investidores”, conclui.

O vice-presidente do Itaú BBA para Banco de Investimentos, Jean-Marc Etlin, avalia que 2015 será um ano construtivo para IPOs. “Iniciaremos o ano mais realistas e isso deve ser a base para operações que irão surgir. Com certeza, teremos mais atividade do que verificamos este ano. Mas não dá para falar em setor específico”, diz.

Etlin também disse que, com a perspectiva de fraco crescimento da economia doméstica, o banco irá reforçar a aposta na expansão em mercados mais dinâmicos da América Latina, objetivando marcar posição entre os líderes da região. "Conseguimos reorganizar nossa posição e manter nosso market share na região. Nosso plano é estar entre os três principais bancos nos próximos anos”, avalia.

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