Crédito privado crescerá 11%, diz Febraban

Entidade prevê desaceleração de empréstimos do BNDES; presidente do BC, Alexandre Tombini, diz que desafio é ampliar a oferta de financiamento ao investimento produtivo

Por O Dia

Brasília - O presidente da Federação Brasileira de Bancos, Murilo Portugal, prevê uma desaceleração na expansão do volume de crédito concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos próximos anos. Em almoço da entidade ontem, o executivo foi cauteloso nas projeções de redução da participação dos bancos públicos na economia. “Não acredito que o BNDES vá conceder menos crédito do que concedeu neste ano. Vai continuar concedendo. O que talvez deva acontecer — e que também já está acontecendo no setor privado — é que o crédito vai continuar crescendo, mas a uma taxa menor”, afirmou Portugal no almoço de final de ano promovido ontem pela federação.

Mas, segundo Murilo Portugal, o setor bancário privado manterá sua contribuição: “O setor bancário brasileiro está e estará profundamente comprometido com a agenda do desenvolvimento do Brasil”, disse ele, referindo-se à inclusão financeira e à expansão do crédito.

Mas, para 2015, a expectativa é de uma expansão, embora real, menor que a verificada em anos anteriores. Murilo Portugal afirmou que para o próximo ano, as pesquisas da federação apontam para um crescimento em torno de 11% no volume de crédito concedido pelo sistema financeiro como um todo, repetindo o desempenho deste ano. A entidade iniciou 2014 com previsões mais otimistas, que foram sendo ajustadas. “Mas ainda assim, é um crescimento acima do PIB nominal”, enfatizou Portugal. “Sabemos que precisamos seguir ampliando o crédito, em especial, em linhas onde a presença do crédito bancário privado ainda é reduzida como o financiamento do investimento de longo prazo e os empréstimos para as pequenas e médias empresas”, acrescentou, afirmando que o setor precisa reduzir custos, aumentar a eficiência e expandir volumes.

A avaliação de Portugal em relação ao BNDES baseia-se nas sinalizações recentes do governo de que pretende reduzir o custo fiscal da atuação do BNDES e estimular maior participação no mercado de crédito privado de longo prazo. O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou a disposição do governo de estimular em especial as alternativas de financiamento de longo prazo via mercado de capitais, cujos instrumentos incluem o lançamento de ações em bolsa e de títulos privados, como debêntures. Entre as alternativas para reduzir os custos do Tesouro com os financiamentos subsidiados do BNDES, está sobre a mesa da nova equipe econômica a opção de elevar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), inferior às taxas do mercado, que corrigem os empréstimos do banco. Com a medida, segundo interlocutores do governo, além do alívio fiscal, o governo também tentaria despertar o interesse do setor privado em entrar no mercado de longo prazo. Um dos argumentos frequentemente apontados por dirigentes de bancos para a inanição das ferramentas de financiamento de longo prazo é a impossibilidade de competir com as taxas subsidiadas pelo BNDES.

Portugal também elogiou a definição da futura equipe econômica e afirmou que as indicações já produziram efeitos sobre o mercado. “Excelentes”, disse ele sobre as escolhas da presidenta Dilma para a equipe econômica, que segundo ele, misturam continuidade — referindo-se ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que participou do evento — e renovação, em referência à dupla Joaquim Levy, na Fazenda, e Nelson Barbosa, no Planejamento. “É uma pessoa que tem todas as condições de contribuir para a retomada das confiança dos consumidores e dos empresários na economia brasileira”, disse ele sobre Joaquim Levi.

Em seu discurso, Tombini afirmou que um dos desafios é ampliar a integração do sistema financeiro com o mercado de capitais de forma a ampliar a oferta de financiamento ao investimento produtivo de médio e longo prazos. “A retomada do crescimento sustentável no Brasil nos próximos anos depende da recuperação do investimento privado, sendo o acesso a recursos com custo e maturação adequados peça essencial para essa engrenagem funcionar”, afirmou o presidente do BC. Ele também reafirmou que o BC fará "o que for necessário" para viabilizar um cenário de inflação mais benigno no período de 2015 e 2016.A instituição tem o objetivo de colocar a inflação no centro da meta (4,5% ao ano) até o final de 2016.

Últimas de _legado_Notícia