'Infraestrutura vai gerar oportunidades em 2015'

A previsão é do diretor presidente da JMalucelli Investimentos, Leonardo Deeke Boguszewski, que também vê opções em segmentos como fundos de crédito privado

Por O Dia

Manter a decisão de investimento alinhada à filosofia e ao horizonte de tempo foi um dos grandes desafios da JMalucelli Investimentos em 2014, afirma o diretor presidente, Leonardo Deeke Boguszewski, ressaltando que o período foi de grandes incertezas macroeconômicas. Para 2015, o segmento de infraestrutura é um setor que deve gerar oportunidades de negócios. Além de ações, o executivo avalia que investimentos em fundos de crédito privado, imobiliário e investimento em participações também podem ser opções.

Quais foram os principais desafios neste ano?

Costumo dizer que o mercado financeiro, além de exigir conhecimentos sobre finanças e estratégia, é bastante influenciado pela psicologia. Investidores tomam decisões sempre considerando dois sentimentos principais: ganância e medo. O problema é que, na maior parte dos casos, estes sentimentos entram em cena na hora errada. Quando o mercado está repleto de perspectivas positivas, investidores pagam mais e mais por qualquer ativo, somente para fazer parte da festa. Por outro lado, quando o mundo está repleto de incertezas, como o ambiente que vivemos hoje, o medo faz as pessoas preferirem ficar de fora por pensarem que o que vem pela frente pode ser ainda pior. As oportunidades, portanto, aparecem para quem consegue tomar decisões sem o viés comportamental. Ao longo de 2014, acredito que, além do cenário econômico, nosso maior desafio foi exatamente manter as nossas decisões de investimento e a dos clientes alinhadas à nossa filosofia e ao nosso horizonte de tempo. É isto que compreende a disciplina que, tenho certeza, é um diferencial da JMalucelli Investimentos.

Para 2015, quais são as estratégias? Há interesse de ampliar a carteira de fundos?

As estratégias se mantém concentradas em torno de investimentos de valor, com disciplina e um horizonte de longo prazo. Interessante notar, neste sentido, que estes pilares não se limitam ao investimento em ações. Valem também para outros tipos de produtos, como fundos de crédito privado, fundos imobiliários e fundos de investimento em participações. Avaliamos com frequência diferentes oportunidades e, sem dúvidas, vemos com bons olhos a oferta de novos produtos. O segmento de infraestrutura, por exemplo, é um que deve oferecer oportunidades interessantes. Estamos atentos.

Como avalia as medidas que o governo tem tomado para incentivar a entrada das pequenas e médias empresas no mercado de capital?

As medidas recentes são positivas, mas marginais e insuficientes para mudar o quadro de maneira relevante. O que importa mesmo são regras claras, transparência e um ambiente econômico que permita ao país conviver com taxas de juros mais baixas. Somente assim o mercado de capitais poderá se desenvolver e ser, de fato, um provedor adequado de recursos para a iniciativa privada.

Você espera IPOs em 2015? Qual seria o segmento?

Sim. Não acredito, porém, que haverá predominância de um segmento em especial. Há empresas preparadas em diferentes setores que estão prontas para seguir este caminho se o mercado oferecer as condições necessárias.

Nossa Bolsa é considerada pequena diante das concorrentes internacionais, o que é necessário para ampliar este mercado?

A nossa Bolsa é pequena se comparada às principais bolsas mundiais e, principalmente, se comparada ao nosso potencial. A lógica é simples. Para aproveitar o grande potencial de crescimento que nossa economia oferece, o país precisa investir. Para investir, além de uma poupança capaz de prover estes recursos, precisa-se de um ambiente capaz de colocar à disposição dos setores público e privado, em condições adequadas, os recursos necessários. Dentro desta simplificação, o problema começa nas condições adequadas. Sem regras claras, transparência e confiança, o mercado de capitais se torna uma alternativa pouco atraente para investidores que querem alocar capital e para empresas que querem captar recursos. O problema aumenta com o atual nível das taxas de juros, que impede muitas empresas de oferecer retornos atraentes quando comparados com o que se pode obter investindo em títulos públicos.Uma lição de casa adequada, portanto, depende de credibilidade e confiança, permitindo que o país conviva com taxas de juros mais baixas e encontre no mercado de capitais um ambiente sério e provedor de soluções para empresas e investidores, sejam eles pessoas físicas, jurídicas ou institucionais.

O que é necessário para atrair a pessoa física para a Bolsa?

O aumento do número de pessoas físicas investindo em ações passa, em primeiro lugar, pela educação financeira. Somente com ela o mercado acionário deixará de ser visto como sinônimo de jogo e especulação e passará a ser encarado como o que realmente é: uma alternativa de se tornar dono de excelentes negócios.

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