IOF e juros mais altos reduzem demanda e oferta de crédito

Impacto isolado é baixo mas juntamente com outras medidas deve contribuir para manter o tomador arredio e os bancos mais seletivos

Por O Dia

São Paulo - O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciado na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não deveria, sozinho, afetar fortemente o apetite dos tomadores por crédito. Mas, juntamente com outras medidas — a alta dos preços da gasolina, da energia elétrica, e também a da taxa básica de juros da economia (Selic) — vai apertar as condições do crédito neste ano.

“Os bancos tendem a ficar mais seletivos e os consumidores, mais retraídos”, diz o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira. Para ele, o ajuste fiscal, que inclui elevação de impostos e menos gastos, pode afetar a confiança e o emprego dos consumidores.

A Anefac ainda não tem expectativa para o crescimento das carteiras de empréstimos dos bancos em 2015, mas Oliveira diz que muito provavelmente será de um dígito. Os números fechados de 2014 serão divulgados pelo Banco Central (BC) na semana que vem. Considerando todo o sistema, o BC previa um aumento de 12%. Para o crédito ao consumo, o percentual de alta em 12 meses já estava abaixo em torno de 10% até novembro.

Procurados, grandes bancos de varejo e associações que reúnem emissores de cartões e de bancos de montadoras ou não quiseram se manifestar ou afirmaram, por meio de suas assessorias de imprensa, que ainda estavam avaliando os possíveis impactos dessa alta na demanda e custos dos empréstimos.

Apesar de elevar o IOF, o governo manteve o percentual adicional de 0,38% em cada operação, independentemente do prazo — essa alíquota foi adotada em substituição à CPMF por ocasião de sua extinção.

De acordo com cálculos divulgados pela Anefac, o financiamento de uma geladeira por 12 meses no valor de R$ 1.500, com taxa de juros de 4,85% ao mês (em média) pagaria parcelas mensais de R$ 170,96 — totalizando R$ 2.051,52, com IOF de 1,5%; agora, passará a pagar 12 parcelas de R$ 173,48, totalizando R$ 2.081,76. Ou seja, a elevação do IOF representará um aumento de R$ 2,52 na prestação e de R$ 30,24 no total do financiamento.

Na utilização do limite do cheque especial por 20 dias no mês no valor de R$ 5.000, com taxa de juros de 8,92% ao mês (média), antes o consumidor pagaria um valor de R$ 350,58 (juros mais IOF); com IOF de 3% ao ano, vai pagar R$ 355,09. Se usar R$ 3.000 do rotativo do cartão de crédito, considerando taxa de juros de 11,22% ao mês, o valor total de juros mais IOF passa de R$ 351,69 para R$ 355,38. Um empréstimo pessoal no banco, no valor de R$ 4.000 por 12 meses, com taxa de juros de 3,61% ao mês, a prestação mensal passaria de R$ 424,45 para R$ 430,70 — e o valor total, de R$ 5.093,40 para R$ 5.168,40.

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