Por monica.lima

São Paulo - O mercado de cartões pré-pagos está em alta mas, a julgar pelo potencial no Brasil, onde metade da população não tem conta em banco, o ritmo está aquém do esperado. A opinião é do consultor Carlos Ogata, que é especializado no assunto — já trabalhou nas três principais bandeiras de cartões (Visa, Mastercard e Amex) e até o ano passado era diretor de marketing do Grupo Setorial de Pré-Pagos (GSPP).

“O maior gargalo é a questão da recarga”, diz o consultor. Hoje, as opções existentes são poucas e caras para o público-alvo - os não-bancarizados. O portador ou recarrega com boleto bancário — que demora dois dias para ser compensado, custa caro e requer a ida a uma agência — ou por transferência bancária pela internet.

Tem ainda as alternativas de cartões de crédito, mas esta é mais usada por quem carrega um cartão desses para o filho, ou para um funcionário. Para quem quer ter o seu próprio cartão, por questões de segurança e conveniência, a melhor opção seria poder transferir dinheiro de um cartão para outro, como se faz hoje entre contas correntes, diz Ogata. “É a opção P2P”, ou seja, peer-to-peer, de cartão para cartão, sem intermediários.

A empresa PayZen, o braço especializado no processamento de pagamentos online da multinacional francesa Lyra, acaba de lançar no Brasil uma nova opção: o carregamento por meio de cartões de débito, informa Jerome Pays, responsável pelo e-commerce da empresa. No mercado, o negócio da PayZen é conhecido como “gateway” de pagamentos e seus principais concorrentes são empresas como a Braspag, da Cielo, e MasterPay. Segundo Pays, existem hoje no Brasil 27 gateways de pagamentos dos quais só cinco, entre eles a PayZen, competitivos.

Os “gateways” só “transportam” o dinheiro mas não “manipulam” — quem faz isso são os adquirentes, como Cielo e Rede, ou subadiquirentes. A PayZen pretende atuar junto com adquirentes em breve, para atender clientes de “market place”, como as lojas de departamentos online. “Pagamento é um mal necessário”, diz o presidente da Lyra no Brasil, Thierry Costes.

“As bandeiras estão em uma campanha ostensiva para aumentar o uso dos cartões de débito. Mas em vez de brigar entre si por pequenas fatias no crédito e no débito, decidiram brigar contra os boletos bancários”, diz Pays. Segundo ele, 20% das faturas de compras pela internet ainda são pagas por meio de boletos. Nos cartões pré-pagos ele não sabe dizer, o percentual é ainda maior.

Mas, se a recarga por meio de cartão de débito atende a uma demanda das bandeiras, Ogata é mais cético em relação a atender a necessidade dos portadores. Para ele, para quem tem conta em banco, cartões de débito e crédito, carregar com cartão de crédito sairia mais vantajoso, pois acumula milhas e ainda tem 30 dias para pagar. “É mais uma alternativa, o que contribui. Mas não é a solução”, diz, afirmando que de fato, essa é uma novidade no mercado brasileiro — por enquanto, exclusiva da PayZen.

A participação dos cartões como meio de pagamento no consumo das famílias no Brasil deve subir de 25% em 2010 para 34% neste ano e 43% em 2020, segundo a Boanerges & Cia. Consultoria em Varejo. Os pré-pagos devem aumentar a fatia de 4% em 2010, para 7% neste ano e 10% em 2020.

Em quantidade de transações, os pré-pagos devem passar das 43,6 milhões em 2010 para 81,1 milhões neste ano e 98,7 milhões em 2017, segundo a Euromonitor. Em volume financeiro, o valor deve passar dos R$ 58,5 bilhões em 2010, a R$ 106 bilhões em 2015 e R$ 117 bilhões em 2017.

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