Por monica.lima

São Paulo - O  megainvestidor Mark Mobius, chefe da área de mercados emergentes da gestora Franklin Templeton, dos Estados Unidos, disse ontem que se a Petrobras tivesse sua nota de classificação de risco de crédito rebaixada para “junk” — grau especulativo, de alto risco — seria uma grande oportunidade para comprar suas ações. “Os preços, que já estão muito baixos, sofreriam um crash. Espero que isso aconteça”, disse rindo — mas sem esconder que há um fundo de verdade na brincadeira. Ele ressaltou, porém, que oportunidade depende do que estiver acontecendo com os preços de ações de empresas em outros mercados emergentes.

Marcus Vinicius Gonçalves, presidente da gestora no Brasil, revela que a participação dos papéis da Petrobras nas carteiras globais da Franklin Templeton foram reduzidas de 1,2% para 1% desde o ano passado. “Vocês brasileiros não confiam na Petrobras. Mas eu vejo uma oportunidade, para mim é hora de comprar. E se cair mais, ficará ainda melhor”.

Mobius veio ao Brasil visitar empresas e investidores, como costuma fazer todo ano na época do carnaval. Para ele, a corrupção na Petrobras não assusta. “O fato de ter vindo à tona é positivo”, afirmou. Mas Mobius não gostou da indicação de Aldemir Bandini para a presidência da Petrobras. Embora admita que o conheça pouco, torceu o nariz pelo fato de o executivo ter vindo de um banco público. “Ele não tem experiência no setor, mas tem experiência no governo, o que pode ser útil. Vamos dar tempo ao tempo”, disse, acrescentando que Bendine precisa agora ser transparente e recuperar o caixa da empresa, vendendo ativos. “Mas a empresa não vai acabar”, disse. Para ele, apesar dos desafios, vê a Petrobras saindo da crise no futuro com uma melhor governança.

Para o Brasil, ele vê uma situação difícil com crescimento de 0,3% do PIB neste ano, mas prevê uma recuperação dos preços das commodities no ano que vem e se o Brasil fizer o que ele considera o certo — reduzir a burocracia e o excesso de intervenção do governo — pode crescer de 3% a 4% em 2016. “Há muito a ser feito aqui, principalmente em infraestrutura”.

Não há papéis da Petrobras nos fundos de ações de emergentes vendidos na América Latina - o setor financeiro representa 40% das carteiras, sendo as ações da Itaúsa, Itaú, Bradesco as três com maior participação.

O especialista de 78 anos, que abriu mão da nacionalidade americana para ficar apenas com a alemã - mas não abre mão de combinar a cor da gravata com a das abotoaduras e ontem, até com a do anel - recomenda que os jovens brasileiros invistam menos em bancos. “Mantenham no banco o dinheiro para despesas de um ou dois anos, o resto deve ir para ações”, aconselha. Enquanto seus conselhos não são ouvidos por aqui, ele continua apostando na alta rentabilidade dos bancos para engordar ganhos dos seus fundos.

Mobius também diz que o brasileiro deve investir mais no exterior. Para ele, o mercado acionário brasileiro não pode ser sempre o melhor do mundo. “Por isso o ideal é investir 30% no Brasil, de 30% a 40% em mercados maduros e 30% na Ásia”, diz.

‘Próxima crise financeira virá dos derivativos’

O grande desafio do mundo financeiro atualmente é lidar como o aumento da volatilidade. A opinião é do megainvestidor Mark Mobius, chefe da área de mercados emergentes da gestora Franklin Templeton desde 1987. “A próxima crise financeira internacional será provocada por derivativos”, disse ontem a jornalistas na sede da gestora em São Paulo.

Para ele, os instrumentos derivativos, como futuros e opções, deveriam ser mais bem regulados. “Mas os bancos não querem, e não vão deixar”, acredita. “Além disso, regulação não é tudo. Nem mesmo regras rígidas conseguem evitar problemas. Veja o caso do Madoff. Ele enganou a Securities Exchange Comission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos), três vezes”, disse. Bernard Madoff fundou uma gestora com seu nome em 196o e em dezembro de 2008, meses após a eclosão da última crise financeira internacional, foi acusado pelo FBI de usar o dinheiro dos clientes em um esquema de pirâmide que configurou uma fraude de US$ 65 bilhões.

“Como os preços deum determinado ativo podem oscilar de 20% a 30% enquanto a demanda oscila 3%? O investidor está assustado e por isso deixa o dinheiro no banco”, diz. 

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