Por monica.lima

São Paulo - A atividade de gestão de fortunas no Brasil voltou a crescer no ano passado. O segmento de private banking fechou o 2014 com um volume total de recursos sobre gestão de R$ 645,1 bilhão, 11,8% maior que o ativo administrado em 2013, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A performance do ano passado melhorou em relação ao crescimento de 9,5% verificada em 2013, mas bem distante dos anos de 2010 a 2012, quando o private banking apresentou expansão em torno de 20% ao ano.

De acordo com o presidente do Comitê de Private Banking da Anbima, João Albino Winkelmann, o desempenho de 2014 reflete a própria economia, a forte volatilidade provocada pelas eleições presidenciais e a alta dos juros. “Um crescimento de 11,8% é um bom número, considerando o ano com muitos desafios e PIB perto de zero”, diz.

O principal destaque do ano do private banking foram os investimentos em produtos incentivados, como as Letras de Crédito Imobiliária (LCI) e Agrícola (LCA). Segundo os dados da Anbima, no ano passado as aplicações nestes produtos responderam por 67,1% do total, ante 33,2% verificado em 2011. Esses produtos isentos passaram a representar cerca de 20% do total da carteira de investimentos consolidados dos investidores, ante 16% em 2013.

Segundo Winkelmann, esses produtos com incentivo fiscal são muito procurados, principalmente em momentos de grande volatilidade. Ele acredita que essa isenção deve mudar e isso irá fazer com que o investidor procure outras opções, como multimercado e renda variável.

O aumento de 19,7% das aplicações diretas em títulos mobiliários de renda fixa fez com que a participação desses recursos no total da carteira do segmento aumentasse de 30,9% para 33,1%, entre 2013 e 2014. Já os fundos de investimento, que cresceram 5,8%, tiveram sua participação na carteira reduzida, no mesmo período, de 47,4% para 44,9%.

O crescimento dos recursos alocados em fundos de investimento foi influenciado principalmente pela categoria Curto Prazo/Referenciado DI (18,1%), e houve redução dos recursos direcionados à categoria ações.

O coordenador do subcomitê de base de dados de Private Banking da Anbima, Rogério Pessoa, ressalta que ainda é cedo para fazer previsões para 2015 em razão de ser um ano desafiador, com previsão de crescimento zero para o PIB, mercado de capitais ainda muito fechado. “Vejo uma previsão melhor para 2016. Este ano parece que as pessoas vão parar para dar uma arrumada na casa. O cenário é muito parecido com 2014”, prevê.

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