Por monica.lima

São Paulo - A Visa, empresa que processa pagamentos eletrônicos com cartões ou celulares, está negociando com os maiores bancos brasileiros a implantação do dispositivo de segurança conhecido como “iToken”, ou chaveiro, nas compras com cartões que não envolvam a presença física do plástico. “A tecnologia deve estar disponível antes do final do ano”, disse ao Brasil Econômico Ellen Richey, vice-presidente global de riscos da Visa. A executiva estava ontem um evento em São Paulo promovido a cada dois anos pela empresa sobre o tema e um dos objetivos era apresentar as vantagens do “chaveiro” para os bancos e comerciantes, ou “mercantes”, que aceitam cartões com a bandeira Visa para a venda de produtos e serviços.

Os concorrentes da Visa também já atuam com a “tokenização” no exterior, mas ainda não anunciaram seus planos para o Brasil. Além disso, Ellen diz que apesar de a tecnologia ser a mesma, os serviços oferecidos por cada bandeira — MasterCard, Diners, Amex e outras — variam de empresa para empresa.

“Quase metade das fraudes financeiras no mundo acontecem em vendas online com cartões. No Brasil, como 93% da base de cartões tem chips, o que praticamente inviabiliza as fraudes com o uso presencial dos plásticos a as fraudes online são ainda mais representativas do que no resto do mundo”, diz Ellen. “Por isso, o iToken para vendas com cartões de crédito ou débito a distância é mais importante ainda para bancos emissores, lojistas e portadores de cartões no Brasil”.

O iToken já é amplamente usado por bancos para transações eletrônicas a em seus sites na internet ou em aplicativos para smartphones. Agora, está se transformando em uma ferramentas para aumentar a segurança das transações com cartões. O dispositivo gera um código de 16 dígitos, associado ao número de 16 dígitos do cartão do cliente, a cada compra efetuada. “Com isso, desvalorizamos os dados físicos dos cartões, ou seja, capturá-los perde valor, pois sozinhos, sem o código, não servem para realizar as transações”, explica Ellen.

O dispositivo foi lançado pela Visa no ano passado para uso no Apple Pay, sistema de pagamentos que rodam nos smartphones de última geração da Apple. Além do iToken,o usuário só pode usar o cartão armazenado na “carteira” digital Apple Pay se desbloquear o aparelho com sua própria digital. Para Ellen, além de mais seguro, o uso do iToken dispensa a necessidade de mais senhas — assim como a biometria (impressão digital). Se o aparelho for roubado, os dados seguem protegidos. Além disso, o código gerado para cada smartphone só pode ser usado naquele determinado smartphone.

A executiva da Visa disse que inicialmente, a “tokenização’ será introduzida no Brasil somente em smartphones Apple e Android, que no Brasil é líder entre os smartphones. No exterior, a Visa também já utiliza o iToken para pagamentos online que se utilizam da sua carteira digital “Visa Checkout”. O seu uso de forma generalizada por lojas de comércio eletrônico ficará para mais tarde pois envolve adaptação a múltiplas plataformas.

“Precisamos também desenvolver uma tecnologia para quem o comerciante continue conseguindo identificar o seu cliente”, diz, lembrando que com o uso do iToken os dados pessoais deles não ficarão mais armazenados no site. Mas, quando isso acontecer, será natural que o uso de cartões de débito para compras online em substituição a boletos seja incentivado. Apesar de estar sujeitos a fraudes a e 40% das compras feitas com boletos não acabam se concretizando quando o consumidor desiste e não paga — os boletos ainda são um forte concorrente dos cartões nas vendas online no Brasil, diz Edson Ortega, diretor executivo de risco da Visa no Brasil. “Os consumidores muitas vezes se sentem inseguros em expor o número do seu cartão de crédito na internet. Com o iToken, o número do cartão de crédito, sozinho, não terá mais valor nenhum”, diz Ellen.

A executiva não revela números relativos a fraudes mas garante que eles estão diminuindo ano a ano. “Os fraudadores são muito criativos mas nós também. Se não conseguimos vencer-los ainda, estamos praticamente empatados”, diz, afirmando que as fraudes con cartões caíram a 30% do que eram em 1990.

Ellen lembra da megafraude da qual a varejista Target foi vítima no ano passado, nos Estados Unidos. “Foram capturados dados de 40 milhões de cartões de clientes da rede, de todas as bandeiras. Mas apenas 2% a 5% do total dos cartões Visa acabaram sendo de fato vítima de fraude”, disse, repetindo que a empresa combate as fraudes com tecnologia em diversa frentes.

A Visa também garante que os portadores continuarão recebendo todas as recompensas oferecidos pelos cartões de crédito e débito Visa quando os utilizarem na Apple Pay. A CyberSource e Autorize.Net, duas plataformas de pagamento de propriedade da Visa, também se integraram ao Apple Pay, oferecendo aos comércios online soluções de gerenciamento de pagamentos e apoiando-os para que aceitem pagamentos nos após do iPhone 6, iPhone 6 Plus e Apple Watch.

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