BM&FBovespa lucra menos  9,7% em 2014

Lucro líquido atinge R$ 977,1 milhões em 2014 e nos últimos três meses do ano soma R$ 232,4 milhões; despesas recuam 0,6% no ano e sobem 30,4% ante o terceiro trimestre

Por O Dia

São Paulo - A BM&FBovespa registrou queda de 9,7% no lucro líquido de 2014, para R$ 977,1 milhões, e de 8,1% no lucro líquido ajustado (que exclui depreciação e amortização), para R$ 1,4 bilhão. No quarto trimestre, o resultado foi de R$ 232,4 milhões, avanço de 27,6% sobre o terceiro trimestre. Já o lucro líquido ajustado no período teve um crescimento menor, de 9,2%, para R$ 373,2 milhões.

De acordo com o novo diretor de Relações com Investidores (RI), Daniel Sonder, o resultado no trimestre reflete o aumento de negócios com ações e derivativos, causado pela volatilidade dos negócios relacionada à eleição presidencial. A receita total no quarto trimestre cresceu 13,4% para R$ 595,8 milhões ante o mesmo período de 2013. No segmento BM&F o avanço foi de 10,3% e no Bovespa, 23,1%, para R$ 217,7 milhões e R$ 272,3 milhões, respectivamente.

Já as despesas apresentaram queda de 0,6% no ano contra ano, mas cresceram 30,4% ante o terceiro trimestre, para R$ 250 milhões. Já as despesas ajustadas alcançaram R$ 174,9 milhões no quatro trimestre, com expansão de 3,8% e 19,1% nas duas comparações.

Durante entrevista de apresentação de resultados, o presidente da companhia, Edemir Pinto, disse que escândalo de corrupção da operação Lava Jato levou a BM&FBovespa a preparar um conjunto de medidas e sugestões para aprimorar a governança corporativa das empresas. Ele avaliou também que o investidor estrangeiro só deve voltar para o mercado de capitais após ter a sua confiança restabelecida e, para isso é necessário que o governo trabalhe neste sentido.

Edemir disse que entende a crise da Petrobras e que não iria entrar na questão por ser um assunto do âmbito jurídico e que também está sendo avaliada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele ressaltou, no entanto, que o momento é oportuno para dar “sugestões e novas medidas”, para evitar que novos problemas como esse ocorram. “Em breve iremos divulgar esses detalhes de aprimoramento”, limitou-se a dizer.

Pinto disse também que o governo precisa trabalhar para restabelecer a confiança do investidor, principalmente a do estrangeiro. O executivo lembrou que o governo está com uma equipe nova tanto na Fazenda, Planejamento e Tesouro e que está no aguardo de que possa ser dado “alguma luz” para o segmento. “Nós temos um grande potencial. Nos últimos dois anos cerca de 40 a 45 empresas entraram na CVM com pedido de registro e estão represadas. Elas poderiam voltar a qualquer momento que a janela (de oportunidades) se abrir”, diz.

Embora esteja cético para o segmento de grandes empresas, Pinto se disse otimista para o segmento de pequenas e médias empresas e não descarta que este ano ainda possa surgir a primeira operação. “Este segmento tem tudo para acontecer. Teve projeto aprovado pelo governo de incentivo fiscal. Tem o BNDES que já elegeu dois gestores para administrar o fundo de R$ 1 bilhão voltado para as PMEs. Do lado da CVM, várias medidas já foram adotadas e a principal é um fundo de captação de recursos. A Bolsa também está preparada. É todo um arcabouço desenhado”, diz.

Pinto disse ainda que tem acompanhado um movimento intenso nos escritórios de advocacia, empresas de auditoria, bancos de investimentos e, na própria Bolsa. “Esse é um segmento que promete dar alguma alegria ao longo do ano. Alguma operação deve ser feita”, diz, ressaltando, no entanto, que este não deve ser um setor que irá atrair o investidor estrangeiro. “Ele não vai ter apetite. Uma coisa é uma empresa listada no Novo Mercado e outra é uma empresa listada no Bovespa Mais. O estrangeiro não conhece o Bovespa Mais, o Novo Mercado ele já conhece todas as regras”, afirma.

Pinto disse também que as negociações para a internacionalização da BM&FBovespa via compra de participação das bolsas de países da América Latina irá começar com Chile e Peru e depois deve atingir a Argentina, Colômbia e México. “Em relação ao Chile e ao Peru, a expectativa é que a operação possa ser concluída até o final do primeiro semestre, mas se não concluir não deve levar muito mais tempo do que isso. Depende um pouco da questão regulatória. Não tem só a transferência dos direitos patrimoniais, tem também a questão da participação no conselho da bolsa local e, para isso precisa ter toda a questão regulatória muito bem analisada”, diz, ressaltando ainda que espera que até o final do ano o assunto esteja encaminhado com os outros parceiros. “É nosso desejo chegar ao final do ano com fatia comprada”, diz, acrescentando que a ideia é comprar o máximo de participação que o limite regulatório de cada país permitir.

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