Apesar de acumular alta, compras no cartões desaceleraram em 2014

Brasileiros realizaram R$ 978,8 bilhões em transações com cartões no ano passado, alta de 14,8% ante 2013; para 2015 deve chegar a R$ 1,1 trilhão

Por O Dia

São Paulo - As compras com cartões de crédito e débito no ano passado cresceram na casa dos dois dígitos, porém em menor ritmo. Essa desaceleração reflete o menor crescimento das vendas no varejo, segundo o diretor presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Marcelo Noronha.

No ano, os brasileiros realizaram R$ 978,8 bilhões em transações com cartões, uma expansão de 14,8% ante 2013. Desse total, o crédito respondeu por R$ 625,5 bilhões, com alta de 13,1% e o débito subiu 17,8%, para R$ 353,3 bilhões. As operações totalizaram 10,3 bilhões, avanço de 11% no período. Por modalidade, o crescimento foi de 8,1% em cartões de crédito e 13,7% em débito, totalizando 4,9 bilhões e 5,4 bilhões operações, respectivamente.

Para este ano, Noronha está otimista e espera um crescimento consistente, apoiado principalmente na migração de meios de pagamento. Para o total transacionado este ano a expectativa e de que atinja R$ 1,1 trilhão, com avanço de 12,5%. Já o crédito poderá apresentar elevação de 11,9%, para R$ 700 milhões e o débito, crescer 13,6%, para R$ 401 milhões. “Essa desaceleração da expansão reflete a expectativa de crescimento do varejo. Se o setor crescer mais, nós também poderemos registrar números maiores”,diz, ressaltando ainda que depois de uma fase de expansão superior a 20% é normal haver uma inflexão na curva de crescimento. “O setor teve um forte crescimento de participação no consumo das famílias nos últimos anos e é natural que o ritmo de crescimento não seja o mesmo”, diz.

De acordo com a Abecs, os pagamentos com cartões representaram 30% do consumo das famílias em 2014, contra 28% em 2013. Para este ano, a expectativa é de que a penetração dos cartões poderá chegar a 32%. “Estamos caminhando para, nos próximos anos, atingir níveis de economias maduras, como os Estados Unidos, que tem 42% de penetração. O Brasil tem infraestrutura e distribuição extraordinárias, por isso vamos continuar crescendo”, diz.

O tíquete médio deflacionado do cartão de crédito estava em R$ 86,90 no final de 2014 e o do débito, em R$ 42,80, menores que os de 2013, de R$ 87,70 e R$ 44,70, respectivamente. Já o tíquete médio do cartão de crédito parcelado sem juro vem mostrando tendência de alta, de R$ 220,00 para R$ 223,00, influenciada pelas compras de produtos de maior valor agregado somadas a prazos mais longos.

Noronha disse ainda que a Abecs está desenhando um projeto para ajudar a aumentar a participação dos cartões na economia brasileira. De acordo com ele, a ideia é que este incentivo funcione como a nota fiscal paulista. “Nosso objetivo é incentivar o uso do meio eletrônico de pagamento por consumidores e empresas. Há oportunidade de usar os cartões no aumento da formalidade da economia, o que se refletirá na arrecadação de impostos”, afirma. O projeto ainda não tem data para ser apresentado ao governo, mas a expectativa é que seja este ano.

Quanto à inadimplência, Noronha afirmou que a taxa irá continuar comportada ao longo dos próximos anos. No ano passado, a taxa de inadimplência dos cartões pessoa física ficou em 7,4%, acima dos 6,4% registrados em 2013. O comprometimento da renda do brasileiro está em 21%. “O endividamento cresce, mas o comprometimento está estável. Isso significa que o brasileiro continua se endividamento mais no longo prazo. O Brasil tem zona de conforto no que se refere ao comprometimento de renda”, diz.

Segundo a Abecs, o crédito do rotativo no cartão de crédito representa apenas 2% do total de estoque de crédito. “Sozinho, não há capacidade matemática para o brasileiro se endividar. Além disso, o consumidor não fica mais de 12 meses no parcelado”, afirma.

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