Autoridades suíças fazem busca no HSBC

Investigação contra a unidade de private bank do banco britânico é aberta e poderá envolver pessoas físicas suspeitas de ações de lavagem de dinheiro

Por O Dia

O cerco das autoridades suíças contra o o banco britânico HSBC ficou mais apertado ontem, com a abertura de uma investigação penal contra o banco por lavagem de capitais e o anúncio de uma operação de busca na unidade de private bank da instituição em Genebra. “Uma busca está em curso atualmente nas instalações do banco, lideradas pelo procurador-geral Olivier Jornot e pelo procurador Yves Bertossa”, informou a procuradoria de Genebra em comunicado.

Este anúncio prejudica ainda mais a reputação dos bancos com operações na Suíça, alvos há vários meses de juízes estrangeiros que abriram seguidos processos por fraude e evasão fiscal.

A filial suíça do banco britânico HSBC era alvo de processos apenas em instâncias estrangeiras e parecia segura em seu território. Em uma declaração publicada após a operação de buscas, o HSBC (Suíça) afirma “cooperar de maneira contínua com as autoridades suíças desde que tomou conhecimento do roubo de dados em 2008”. A investigação foi aberta contra o banco, mas “em função da evolução” pode envolver também pessoas físicas “suspeitas de ações de lavagem” ou de participação nas mesmas, segundo a promotoria.

O banco poderá ser condenado a pagar uma pesada multa. Sentenças de prisão também são possíveis, com penas de até cinco anos.

A imprensa internacional divulgou o caso SwissLeaks com dados que foram retirados do banco em 2007 pelo ex-técnico de informática do banco Hervé Falciani.

Estes dados revelam que durante novembro de 2006 e março de 2007, quase US$ 180 bilhões teriam transitado por contas do HSBC em Genebra, para fraudar o fisco, lavar dinheiro sujo ou financiar o terrorismo internacional.

Os bilhões de dólares pertencentes a mais de 100 mil clientes e 20 mil pessoas jurídicas teriam transitado por estas contas de Genebra, dissimuladas, entre outras, por estruturas offshore no Panamá e nas Ilhas Virgens britânicas.

Falciani é considerado foragido pela Justiça suíça, acusado de tentar negociar os dados dos correntistas com autoridades estrangeiros e bancos libaneses.

Em entrevista à britânica BBC, BB, Falciani negou a acusação.

“Isso é mentira. É exatamente isso que eles tentam fazer, minar sua reputação, assim como a máfia faz”, disse. “Mas já está sendo provado que eu estava certo. Eu nunca pedi dinheiro em troca das informações e agora estou podendo provar isso”.

Ele também disse se sentir “vingado” e “aliviado”, já que os dados revelados por ele finalmente vieram à tona e o escândalo vem sendo investigado em várias partes do mundo.

E ele também ressaltou que ainda há muitas informações que ainda não vieram à tona.

“Há um milhão de bits em dados”, O esquema revelado por Falciani permitiu que, entre 2005 e 2007, centenas de bilhões de euros transitassem, em Genebra, por contas secretas de 106 mil clientes, entre eles, empresários, políticos, estrelas do showbizz e esportistas, mas também traficantes de drogas e armas e suspeitos de ligações com atividades terroristas.

Falciani vinha tentando entrar em contato com autoridades há anos. Um e-mail, obtido pelo jornal francês Le Monde, foi enviado por Falciani em 2008 ao órgão britânico que equivale à Receita Federal no Brasil (Her Majesty's Revenue and Customs ou HMRC), no qual ele dava detalhes do esquema.

Ainda não está claro por que o HMRC não respondeu aos contatos do ex-funcionário do HSBC e por que levou tanto tempo para que a informações se tornasse pública.

Falciani também defendeu que o banco seja punido de qualquer jeito. “A punição tem que ocorrer, não importa o quão grande eles são”, diz ele, acrescentando que talvez haja centenas de outros bancos envolvidos em esquemas para ajudar os ricos e fugir do pagamento de impostos.

Os arquivos de Falciani estão sendo investigados pelas autoridades francesas e americanas. Autoridades das secretarias de Receita da Austrália, Argentina e Bélgica também devem abrir inquérito ofivial contra o banco britânico. Com agências

Correntistas brasileiros na mira da Receita

A Receita Federal já investiga brasileiros com indícios de movimentação financeira no Banco HSBC na Suíça. O Brasil aparece em quarto lugar entre os países com maior número de clientes com contas secretas no banco, registradas desde a década de 1970 até o ano de 2006.

De acordo com o comunicado divulgado pela Receita, foram identificadas “6,6 mil contas bancárias abertas no Banco HSBC na Suíça, no período de 1988 a 2006, supostamente relacionadas a 4,8 mil cidadãos de nacionalidade brasileira, que totalizariam saldo no valor de U$ 7 bilhões”.

A Receita Federal, disse que teve acesso a parte dessa lista contendo o nome de pessoas que supostamente possuíam relacionamento financeiro com o HSBC na Suíça.

 “As análises preliminares de alguns contribuintes já revelam hipóteses de omissão ou incompatibilidade de informações prestadas ao Fisco Brasileiro, entre outros casos”.

A Receita Federal diz também que está aprofundando as pesquisas sobre o tema para obter mais informações, inclusive mediante a cooperação internacional, para a correta identificação do maior número possível de contribuintes relacionados e o levantamento de possíveis valores não declarados. Caso tenha ocorrido, os investidores são passíveis de autuação e de representação fiscal para fins penais em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária.

Segundo a Secretaria, alguns desses contribuintes já haviam sido investigados anteriormente, a partir de outros elementos constantes em suas bases de dados.

Últimas de _legado_Notícia