Por monica.lima

São Paulo - A BM&FBovespa avança sobre o mercado de renda fixa que hoje é operado quase que exclusivamente pela Cetip. Perto de completar um ano, o iBalcão, ambiente de balcão organizado da Bolsa, ampliou o portfólio de produtos de renda fixa este mês, num movimento que deve persistir até o final do ano.

Além da ampliação, o objetivo também é migrar todos os derivativos de balcão para a nova plataforma, afirma o diretor executivo de Produtos da BM&FBovespa, Eduardo Guardia. Desde o último dia 18 é possível registrar no iBalcão as Letras Financeiras (LF), os Certificados de Depósito Bancário (CDB) escalonado — títulos em que a rentabilidade está atrelada a um porcentual do CDI — e os Certificados de Operações Estruturadas (COE) com entrega física.

As operações desses segmentos estão concentradas hoje na Cetip. O estoque de LFs em janeiro passado somava R$ 350,3 bilhões, o de CDBs escalonados, R$ 2,4 bilhões e o de COEs, R$ 3,9 bilhões.

Para o presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, a migração dos negócios da Cetip para a plataforma da Bovespa deve demorar mas a concorrência é sempre positiva. “Hoje, a grande maioria das operações é realizada na plataforma da Cetip. A concorrência é boa, mas é preciso conhecer e testar a plataforma antes de se decidir por mudança. Além disso, a concorrência colabora para melhorar o preço”, diz.

O economista-chefe da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, avalia que toda vez que há um monopolista em algum segmento a entrada de um concorrente acaba “abocanhando um pedaço” do negócio. No entanto, ele avalia que o volume na Bolsa deve demorar a crescer. “Acho que vai demorar bastante tempo para que haja concorrência mais forte entre as duas. A Cetip é bastante eficiente e está no mercado há muito tempo. A Bolsa também é eficiente e tem muita experiência em produzir, controlar e custodiar títulos. Mais para frente pode ter uma concorrência forte”, avalia.

Bandeira ressalta ainda que este movimento pode ser antecipado se, além de qualidade e eficiência, a BM&FBovespa também vier com uma estrutura de custo bem mais baixa. “Se entrar com custo menor ela pode atrair uma boa fatia. A Bolsa tem que avaliar se o menor custo não irá implicar em não ter lucro. A Bolsa é uma empresa de capital aberto e precisa dar resultado aos seus acionistas”, diz.
Até o final de março, a BM&FBovespa fará a migração do contrato a termo de moedas (NDF - Non Deliverable Forward) para a nova plataforma. No próximo trimestre será a vez dos swaps, que já são negociados na plataforma anterior e, no terceiro e quarto trimestres o foco será no desenvolvimento de novos produtos, particularmente o swap com fluxo de caixa, que permite pagamento de diferencial de juros durante o contrato, e opção flexível de ação, que permite ao investidor o direito de receber a alta da ação que superar o preço do exercício, ambos já integrados com a nova clearing.

“Ainda estamos ganhando tração para ampliar a plataforma de produtos. No ano teremos grande foco para fazer migração de derivativos de balcão e também para lançar novos produtos. Tem um cronograma desafiador de produtos para serem lançados ao longo do ano. Queremos lançar produtos de balcão com contra parte central que, no final do dia, atende a demanda do mercado e também permite otimizar ainda mais o modelo de risco da clearing integrada”, disse Eduardo Guardia, na apresentação de resultados da BMF&Bovespa no última dia 11.

Entre os produtos que serão lançados, Guardia disse que há uma atenção muito especial para o empréstimo ativo. “Vemos oportunidade para aumentar o volume de transações no empréstimo ativo. Para isso, a gente tem que trabalhar, principalmente, com os investidores estrangeiros que não estão acostumados com o nosso modelo de empréstimo com contraparte central e, também com os fundos de pensão, que são potenciais doadores que a gente precisa atrair para este mercado”, diz.

Na parte de desenvolvimento de novos produtos, a BM&FBovespa está focada, em um número menor, em produtos que terão boa aceitação do mercado como, por exemplo, o futuro de inflação. “Vemos que há uma demanda para esse produto”, diz.

Para Magliano, a estratégia da Bolsa de investir em novos produtos é bastante positiva. “O lançamento de novos produtos é bom para ela e para o mercado. A gente precisa da ajuda da Bolsa para mostrar produtos interessantes aos nossos clientes. Eles precisam sempre pensar em novos produtos”, afirma.

Captação corporativa atinge R$ 269,9 bilhões em janeiro

O  estoque de instrumentos financeiros de captação corporativa cresceu 14% em janeiro, para R$ 269,9 bilhões, segundo a Cetip. O montante corresponde às Debêntures Corporativas, instrumentos de renda fixa emitidos por empresas não financeiras, e às Notas Promissórias, destinadas a captações de curto prazo que funcionam como alternativa para atender necessidades imediatas de capital. Isoladamente, as debêntures alcançaram R$ 253,1 bilhões, 13% a mais do que o observado em janeiro de 2014.

Do total, cerca de R$ 207,9 bilhões correspondem a emissões realizadas de acordo com a Instrução CVM 476, que simplifica o processo com a condição de esforços restritos de distribuição, e apenas R$ 45,2 bilhões por meio da Instrução CVM 400. Já o estoque das chamadas “debêntures leasing”, emitidas por empresas de leasing de instituições financeiras com o intuito de captação bancária, atingiu R$ 420,2 bilhões em janeiro, com alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Paralelamente, o estoque de Notas Promissórias chegou a R$ 16,7 bilhões, com alta de 45% frente a janeiro de 2014. Apenas em janeiro, as empresas captaram R$ 555 milhões por meio de notas promissórias.

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