Por monica.lima
Publicado 19/03/2015 15:26 | Atualizado 19/03/2015 15:35

São Paulo - O Bradesco obteve autorização do Banco Central (BC) para aumentar o capital em R$ 5 bilhões. A operação havia sido aprovada em assembleia de acionistas na semana passada. Assim como já fez em outros anos, o banco decidiu incorporar a reserva de lucros ao capital, em vez de distribuí-las ao mercado. Com o aumento, o capital passa de R$ 38,1 bilhões para R$ 43,1 bilhões.

Segundo o diretor de relações com o mercado do banco, Luiz Carlos Angelotti, o banco precisa obedecer uma relação entre capital e reservas de lucros pela lei das sociedades anônimas, e estava “desenquadrado”. “Ou fazíamos uma distribuição adicional desse lucro, ou incorporávamos ao capital”, explicou.

Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, a incoporação das reservas adicionais de lucros dve ser seguida por outros grandes bancos, como Banco do Brasil e Itaú.

O Bradesco tem no seu estatuto a obrigação de distribuir anualmente 30% do lucro líquido aos acionistas. “Já fizemos essa distribuição e, inclusive, devido ao aumento do lucro, os valores foram 26% maiores do que em 2013”, afirmou. A razão que levou o Bradesco a incorporar os lucros e não distribuir o excedente foi formar um colchão adicional para enfrentar algum eventual aperto nas regras de capital e alavancagem definidas pela terceira fase do acordo de Basileia. A incorporação das reservas ao capital não produz impacto, mas o pagamento dos dividendos sim, pois sairiam do patrimônio do banco.

“Nosso índice está bem confortável, em 16,5, considerando as captações de dívida subordinada, que podem ser incorporadas ao capital. Mesmo considerando apenas o capital de nível 1, o índice fica em 12,6%. E simulações do impacto de Basileia III (que só estará completamente em vigor em 2019), o índice é de 12,2%”, afirmou Angelotti, em entrevista ao Brasil Econômico. O índice de Basileia mede a alavancagem de um banco, pela relação entre patrimônio e empréstimos, ponderados pelo risco das operações. O índice atual estipulado pelo BC é 11%. Mas o Bradesco, como sempre, está sendo bem conservador e preferiu se precaver quanto a mudanças de regra que possam tornar o índice mais apertado.

“A nova fase do acordo de capitais de Basileia obrigada a identificação das instituições sistemicamente importantes globalmente - as SIFIs, na sigla em inglês. Para estas, as exigências de capital são mais rígidas. Não há nenhum banco brasileiro nesse grupo. Mas sabemos que em algum momento o BC vai criar uma lista das SIFIs brasileiras”, diz. O Bradesco certamente estará na lista e pode ter que cumprir mais exigências.

Angelotti explicou ainda que o aumento será feito por meio de uma bonificação de 20% em ações (2 ações novas para cada 10 ações da mesma espécie possuídas por cada acionista). Segundo Rodrigues, isso ajuda tamb ém a dar mais liquidez às ações, pois aumenta a quantidade em circulação e reduz o preço.

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