Mário Draghi vai manter QE ao menos por 18 meses

Presidente do BCE diz compra de títulos será mantida até inflação se aproximar da meta

Por O Dia

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, reafirmou ontem o compromisso de manter, por pelo menos 18 meses, o programa de compra de compra de títulos também conhecido como “quantitative easing”, até que a inflação na zona do euro fique estável e próxima da meta de 2% ao ano.

Em audiência do Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, Draghi afirmou que a meta do BCE é levar adiante a compra de títulos até o fim de setembro de 2016 ou “quando houver um ajuste sustentado da inflação que seja consistente com nosso objetivo de alcançarmos taxa bem próxima a 2%”. Ele projetou uma inflação ainda muito baixa ou negativa nos próximos meses, e somente no final do ano ela deverá subir.

Draghi também comemorou os resultados imediatos do programa do BCE. “Os dados mais recentes mostram que o crescimento econômico está ganhando dinamismo”. Para a zona do euro como um todo, Draghi reafirmou que reformas estruturais devem ser implementadas “imediatamente” e com “determinação”.

Indicadores de países-chave da zona do euro, como a confiança das empresas na Alemanha, a produção industrial na França e o gasto dos consumidores na Itália, vão dar uma ideia do estado da recuperação. O presidente do BCE, que ficou mais otimista em relação à economia desde que anunciou o programa de flexibilização quantitativa há dois meses, terá uma chance de apresentar sua perspectiva nesta segunda-feira, quando se dirigir ao Parlamento Europeu em Bruxelas.

Como o desemprego continua rondando valores recordes e o forte apoio a partidos populistas, como o Syriza, da Grécia, ameaça desintegrar o bloco monetário, está aumentando a pressão para que Draghi consiga levar o estímulo monetário além dos balanços dos bancos.

“Draghi continuará promovendo os efeitos da flexibilização do BCE, mas também advertirá que reformas são necessárias para que a recuperação seja ampla e duradoura”, disse Thomas Harjes, economista sênior do Barclays para a Europa, em Frankfurt. “Ainda há muita insatisfação nos Estados onde o desemprego eclodiu, e para que isso mude é realmente necessário que haja uma modificação na dinâmica do emprego”.

Desde que impôs o programa de compras de bonds contra uma oposição liderada pela Alemanha, Draghi tem surpreendido ao usar um tom inusitadamente otimista para falar sobre a economia da zona do euro.

Dados que serão publicados nesta semana poderiam corroborar seu argumento. Ontem, a confiança do consumidor no bloco monetário chegou a seu maior nível em sete anos e meio, pois o petróleo mais barato está reduzindo os preços e impulsionando os gastos. Hoje, os índices de gerentes de compra (PMI) deverão mostrar a expansão de atividades de produção industrial e serviços.

A confiança das empresas na Alemanha, a maior economia da Europa, medida pelo instituto Ifo, está prestes a subir pelo quinto mês consecutivo, segundo outra pesquisa divulgada antes da publicação dos dados amanhã. A Itália informará seus pedidos industriais e vendas varejistas na sexta-feira.

O BCE já elevou sua perspectiva econômica. Caso ocorra uma implementação total do estímulo monetário, o crescimento acelerará de 0,9% no ano passado para 2,1 % em 2017 — um ritmo de expansão não visto na região desde 2007.

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