Perda de Banco Postal foi bom para a instituição, diz Bradesco

Segundo Lazari, diretor do banco, somente as mil novas agências abertas em 2011 hoje faturam o triplo do que ganharia a parceria com os Correios, que ficou com o Banco do Brasil

Por O Dia

São Paulo - Perder o Banco Postal para o Banco do Brasil foi a melhor coisa que poderia ter acontecido ao Bradesco. A opinião é do diretor gerente da segunda maior instituição financeira privada do país, Octavio de Lazari Junior.

“A parceria com os Correios era um negócio maravilhoso dentro da organização. Mas o que não nos mata nos fortalece”, disse o executivo ontem em sua apresentação durante o Brazil Investment Forum promovido em São Paulo pelo Bradesco Banco de Investimentos (BBI). “Com muito menos do que o desembolso que o Banco do Brasil faria pelo Banco Postal, decidimos abrir mil agências naquele ano para compensar a perda”, lembrou. “Digo com toda a convicção que isso (perder o Banco Postal) talvez tenha sido uma das melhores coisas que aconteceu na história do banco. Deixamos de pagar o valor que teríamos que desembolsar no ato para os Correios e de pagar as comissões por todos os serviços e ao abrir mil agências, ainda oxigenamos a nossa base de gerentes”, afirmou.

O BB levou o Banco Postal num leilão em junho de 2011, por R$ 3 bilhões. “Se isolar somente essas mil agências e comparar com o Banco Postal, fazemos hoje um resultado três vezes maior que faríamos. Além disso, perenizamos a relação com os clientes. Então, foi uma atitude que não poderia ser mais acertada”.

Com a perda do Banco Postal para o BB, o Bradesco perdeu de uma só tacada 6 mil pontos para vender produtos e serviços. O Bradesco tem hoje 4,5 mil agências, 36% a mais do que em cinco anos, segundo Lazari; e 50 mil pontos do Bradesco Expresso, a rede de correspondentes própria do banco. Ela já existia mas foi reforçada após 2011 - em 2009, por exemplo, eram 20 mil pontos.

Hoje, o Bradesco Expresso - convênio do banco com farmácias, padarias e outros comércios - é responsável por 37% das contas abertas no banco e 33% das propostas de cartões de crédito, e 29% dos pagamentos de impostos e boletos, diz Lazari.

O Bradesco Expresso faz parte da estratégia de segmentação da rede de atendimento adotada pelo Bradesco há cinco anos. A segmentação tem como meta aumentar a renda com tarifas do banco. Além de conquistar mais clientes, o Bradesco quer aumentar a venda de produtos por cliente para algo entre seis a sete - hoje a média está em torno de dois.

Além do Bradesco Expresso, o Bradesco divide o atendimento nos segmentos Prime - para quem ganha acima de R$ 10 mil ou tem mais de R$ 100 mil investidos no banco ; e três subsegmentos de varejo: Classic (a porta de entrada); Exclusive (para quem ganha de R$ 4 mil a R$ 10 mil); e o de pequenas, micro e médias empresas (com faturamento até R$ 30 milhões por ano).

No Prime, o Bradesco tem hoje 762 mil clientes; no Classic, 21,1 milhões; no Exclusive, três milhões e nas empresas, 1,5 milhão. Só para o Exclusive, que é o segmento mais novo, o Bradesco quer conquistar 800 mil clientes em 2015. Para o Prime, quer mais 120 mil - dos quais metade precisa vir de bancos concorrentes.

Para Lazari, o papel das agências ainda é fundamental nessa estratégia. O banco tem R$ 1 bilhão para abrir mais 180 agências neste ano. Hoje elas respondem atualmente por 45% das receitas com crédito, 26% dos seguros, 21% dos serviços e 14,6% das captações no Bradesco.{TEXT}

Últimas de _legado_Notícia