Nova classificação de fundos começa em julho, divulga Anbima

Modelo apresentado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais mostrará com mais clareza ao investidor níveis de risco

Por O Dia

A indústria brasileira de fundos terá nova classificação a partir de julho. O novo modelo, divulgado ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), visa facilitar o processo de decisão de investimentos, contribuir para aumentar a transparência do mercado e permitir uma comparação adequada entre os produtos. Os gestores terão até o fim do ano para estarem completamente adaptados às novas classificações.

De acordo com o vice-presidente da Anbima Carlos Ambrósio, a mudança busca aproximar o distribuidor do investidor, colaborando na questão da educação financeira. “A nova classificação possui o desafio de atender a necessidade de todos os agentes da indústria de fundos, dos alocadores de recursos aos ranqueadores, consultores, agentes financeiros e também aproximar o distribuidor do investidor”, afirma.

A partir de 1º de julho, a nova classificação será divida em três níveis. O primeiro é um espelho da definição estabelecida na instrução nº 555 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que divide em quatro categorias: renda fixa, ações, multimercado e cambial. O segundo nível traz os conceitos de risco e tipos de gestão, procurando sempre classificar os fundos de acordo com os estilos de gestão, ativo ou indexado (passivo) e, nos casos das carteiras com mais de 40% alocados em papéis internacionais, em investimentos no exterior. O terceiro e último nível oferece um maior detalhamento das estratégias dos gestores. O resultado da combinação desses três níveis será o “tipo Anbima”.

Ambrósio lembra que a classificação dos fundos existe desde 2001 e que estava na hora de ser feita uma reformulação. “A classificação foi sofrendo mudanças ao longo dos últimos anos com o surgimento de novos produtos. Agora foi necessário um ajuste maior”, diz, ressaltando ainda que o processo demorou cerca de três anos de discussões.

De acordo com Carlos Massaru, que também é vice-presidente da Anbima, é importante que a nova classificação entre em vigor com a nova instrução 555 para evitar perda de eficiência e também custos desnecessários. “É importante ter um calendário harmonizado”, diz.

Ambrósio ressalta ainda que quanto mais clara for à classificação dos fundos, menos surpresa se cria. “A estratégia tem que ser determinada conforme a necessidade do investidor e de acordo com o cenário econômico. O investidor tem que saber onde está colocando o dinheiro e quais os riscos”, diz. O executivo explica ainda que a nova classificação irá permitir uma melhor comparação entre os produtos de diversas instituições.

No entanto, os executivos não quiseram afirmar que a mudança possa levar a uma menor taxa de administração cobrada pelas instituições, já que será possível uma melhor comparação entre os produtos. “Não sei se este é o caso, isso vai depender de cada instituição”, afirma Ambrósio, acrescentando que antes da mudança não era possível fazer uma comparação profunda entre os produtos existentes no mercado. “Antes isso não era possível”, diz.

Os executivos também não quiseram afirmar que a maior transparência sobre os produtos e o melhor entendimento deles por parte do investidor possa levar a uma procura maior pelos fundos de investimentos. “Não podemos afirmar, mas isto seria o ideal”, diz Massaru.

Massaru ressalta ainda que a mudança pode não ser percebida de imediato por todos os investidores. “Vai depender do grau de conhecimento de cada um”, diz, ressaltando ainda que o novo modelo ajuda neste processo de maior entendimento do mercado de fundos de investimentos.

Pela nova classificação, os fundos passaram de 29 para 38 categorias. “O importante é que cada fundo estará em uma prateleira. Se você quiser investir em renda fixa vai encontrar na prateleira somente produtos com esta característica”, diz.

Junto com a nova classificação, a Anbima irá retroagir a série em 12 meses para criar um banco de dados. “Nosso objetivo é tentar chegar em 36 meses. Se tiver massa critica para isso, vamos tentar retroagir até 36 meses”, diz Ambrósio.

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