Por monica.lima

O número de agências bancárias no Brasil se manteve estável em 2014, segundo a Pesquisa de Tecnologia Bancária da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) divulgada ontem, que mostrou aumento expressivo do número de transações financeiras por meio digital — pela internet ou por telefone móvel. De acordo com o levantamento, o número de agências somou 23 milhões no ano passado, o mesmo existente em 2013. Já o número de Postos de Atendimento Bancário (PABs) e Postos de Atendimento Eletrônico (PAEs) apresentou leve crescimento, passando de 49 milhões em 2013 para 51 milhões em 2014.

Ao mesmo tempo, o número de transações bancárias realizadas nas agências, terminais de auto atendimento (ATMs) e contact center apresentou queda em 2014. Segundo levantamento, a soma do volume de transações das modalidades passou de 37% em 2013 para 32% no ano passado. Consequentemente, mais da metade, um total de 52%, das transações bancárias feitas no ano passado foram realizadas via internet e mobile banking. Em 2013, a soma das transações online foi de 47%.

Ainda segundo o estudo, atualmente 47% das contas ativas no país, um total de 51 milhões, realizam transações utilizando internet banking e 24%, o equivalente a 25 milhões, em smartphones. Somente em mobile banking, houve um crescimento significativo no volume de movimentações financeiras em 2014 quando comparado ao ano anterior. Transferências, DOCs, TEDs e pagamentos de contas apresentaram incremento de 180%, totalizando 260 milhões de transações. Outro destaque foi a contratação de crédito, que registrou um aumento de 190% e chegou a 10 milhões de transações.

Já via internet banking, a pesquisa apontou um crescimento de 8% do número de transferências, DOCs e TEDs e de 11% no pagamento de contas. Juntos, esses serviços somam mais de 1,5 bilhão de transações. A contratação de crédito por esse meio também teve alta de 20% — representando um montante de 40 milhões.

Para o diretor Setorial de Tecnologia Bancária da Febraban, Gustavo Fosse, mesmo com o uso de diferentes canais para a realização de transações, as agências bancárias continuam sendo importantes neste novo contexto. “As agências, de fato, ganham um novo papel no atual cenário e passam a ser mais consultivas. Muitos clientes procuram seus gerentes para saber mais sobre novas oportunidades de investimento e serviços que podem ser contratados, com base em seus perfis”, destacou.
Por outro lado, a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Juvandia Moreira, defende que o crescimento da utilização dos meios digitais para as transações financeiras traz mais ganhos para os bancos do que para os clientes.

“A automação não é um movimento ruim, mas sim os seus resultados. Quando um banco implanta o sistema digital, ele gasta muito menos, mas isso não tem reflexo nas tarifas cobradas aos clientes. Pelo contrário, o cliente gasta com internet, luz e com as taxas cobradas pelos bancos. Além disso, não se pode falar que é uma alternativa apresentada ao consumidor, porque se tem filas quilométricas nas agências presenciais, além de atendimento lento, pois existe um menor número de bancários trabalhando e cada vez mais sobrecarregados”, afirmou, acrescentando que esse é o resultado da diminuição dos postos de trabalho. “O bancário que antes cuidava de 400 clientes em média, hoje é responsável por 700. Uma economia que só atende aos empresários”.

A coordenadora institucional da Proteste Associação de Consumidores, Maria Inês Dolci, complementa que os bancos tem o dever oferecer mais informação para que os clientes aprendam a lidar com as novas tecnologias. “O consumidor precisa de informação para comparar os preços das tarifas dos diferentes bancos e entender o melhor plano para o seu perfil. Os clientes também precisam de transparência para compreender que a opção é sua, se preferirem ser atendido presencialmente, os bancos devem oferecer essa opção. Acredito que a tendência dos dias de hoje é tornar os atendimentos cada vez mais digitais e o consumidor tem que estar preparado para isso”.

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