BTG Pactual inaugura escritório no Porto de Paranaguá, no Paraná

Banco aumenta representação regional para atendimento direto às operações de commodities, cujas receitas crescem em meio à fraqueza do mercado de capitais

Por O Dia

São Paulo - De olho no potencial de negócios do segmento de commodities, o BTG Pactual está expandindo sua presença física no país. O banco vai inaugurar um escritório no porto de Paranaguá (PR), ampliando a rede de atendimento regional, que já conta com sete escritórios e sete representações.

Segundo o sócio responsável pela área de clientes corporativos e escritórios regionais do BTG Pactual, Sergio Cutolo, a região de Paranaguá é de grande interesse para o banco, que poderá abrir novos escritórios em locais que identificar necessidade, como parte da sua estratégia de abrangência geográfica e diversificação de produtos e serviços.

O banco já tem escritórios nas cidades de Recife (PE), Salvador (BA), Brasília (DF), Ribeirão Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) e representações em Cuiabá (MT), Sorriso (MT), Varginha (MG), Querência (MT), Rio Verde (GO) e Santos (SP).

“Vamos ter escritório em Paranaguá, no porto, com uma ou duas pessoas especializadas na região", diz. “O Brasil é grande. Cada região tem uma peculiaridade e o escritório se molda para atender”, diz.

Sergio Cutolo, que entrou no BTG Pactual em 2000 depois de ocupar vários cargos no governo federal — foi ministro da Previdência no governo FHC e presidente da Caixa Econômica Federal no governo Lula — confirma a intenção do banco de ampliar seus negócios na América Latina. “É inevitável porque a diversificação geográfica e de produtos é o que a gente busca com muita insistência. É isso que dá resiliência para nossa atividade. Se você vê a história dos últimos cinco anos, a gente sempre está gerando resultado nesses novos produtos, nessas novas áreas", afirma.

A área de Sales & Trading do BTG Pactual, que inclui as mesas de operação de commodities, registrou no ano passado receita de R$ 2,8 bilhões, quase metade (49%) de toda a receita obtida pelo banco no período. Segundo o balanço, o resultado foi impulsionado pelo forte desempenho das operações de grãos e de metais.

Cutolo ressalta que a América Latina influi fortemente no preço das commodities. “O Brasil e a Argentina são fortes em grãos. Colômbia é forte em carvão, Chile em cobre. Estamos nesses mercados porque têm representatividade”, diz. Para o executivo, independente da desaceleração da China, Índia e Europa, o consumo de proteínas vai aumentar. “Nós temos produtos (para atender essa demanda), mesmo com toda a dificuldade da área de logística”, diz.

A regionalização do BTG Pactual, no entanto, não se restringe à operação de commodities. Outro produto que está sendo trabalhado nos escritórios regionais é a área de seguros. Cutolo explica que três produtos — seguro garantia, seguro fiança e previdência — têm sido bem comercializados pelos escritórios regionais, que também oferecem todos os produtos do banco.

O tamanho das empresas que são atendidas nesses escritórios depende do setor de atuação de cada uma, mas o faturamento situa-se em torno de R$ 300 milhões. “Lógico que atendemos empresas com R$ 100 milhões. Dependendo do setor, esse faturamento é expressivo, mas a média é acima de R$ 300 milhões”, diz.

Segundo Cutolo, o banco não pretende abrir novos escritórios este ano, mas continuará trabalhando para aproveitar as oportunidades. Ele cita como exemplo uma maior atuação no negócio de comércio exterior e operações de câmbio. “Se o mercado de crédito está ruim e as empresas estão evitando os juros altos, a gente pensa em outra coisa. No Brasil, vamos explorar mais o negócio de exportação, operações de câmbio, ser competitivo em outras coisas. A gente se adapta bem aos momentos do mercado”, diz.

Para o executivo, na ausência de oferta pública inicial (IPO), os escritórios regionais também têm trabalhado no segmento de fusão e aquisições. “Essas operações estão ocorrendo com maior força e os regionais trabalham diretamente buscando mandado”, diz, destacando que está havendo consolidação nas áreas de varejo e de hospitais. “Com a abertura para o investidor estrangeiro entrar nesse setor, está bastante movimentado”, diz, acrescentando que o movimento também reflete o atual ciclo de crescimento econômico. “Num ciclo de alta, a tendência é ter mais operações de oferta pública e abertura de capital de empresas. Quando o ciclo é de baixa, as empresas buscam investidor diretamente para outros tipos de financiamento”, diz.

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