Depois de um trimestre ruim, mercados melhoram em abril

Fundos de investimento captam R$ 26,2 bi nos primeiros 15 dias do mês, após perder mais de R$ 9 bi em março; dólar cai 5%, e procura por LTN longas aumenta

Por O Dia

São Paulo - Depois de um trimestre ruim — com janeiro e fevereiro em compasso de espera e março quase catastrófico — o alívio para o mercado financeiro veio nos primeiros 15 dias de abril. Os sinais, até agora, são de recuperação — e de que a confiança pode estar, aos poucos, voltando aos investidores.
Além de alguns avanços reais, como a queda do dólar, nos últimos dias cresceu também as esperanças de que a divulgação do balanço da Petrobras, previsto para hoje, vá destravar operações nos mercados de capitais.

Há, também, boas notícias vindas dos fundos de investimento. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a captação líquida somou R$ 26,1 bilhões em abril, até o dia 14 — o que praticamente coincide com os números do ano todo até a mesma data. Ou seja, em 15 dias todo o estrago registrado anteriormente foi neutralizado — somente em março, as saídas líquidas registradas pelos fundos estavam acima de R$ 9 bilhões.

Mas se o pior já passou, ainda não há garantia de recuperação. “O grau de incerteza ainda não permite indicar perspectivas para o segmento nos próximos meses. A definição do cenário está condicionada à divulgação de novos indicadores, sobretudo àqueles relacionados à inflação e aos resultados fiscais. Entretanto, a melhora do ambiente já é perceptível na comparação com o início do ano, o que indica que os esforços do governo de abrir o diálogo com os agentes já começam a surtir seus primeiros resultados na reancoragem das expectativas dos investidores”, diz Marcelo Cidade, assessor econômico da Anbima.

O boletim Anbima também apontou para a queda da procura por Letras do Tesouro Nacional (LTN, rebatizadas recentemente de Tesouro Prefixado) de prazos mais curtos, e o aumento da preferência pelos mais longos. Quando a procura cai os preços dos títulos caem e seus rendimentos sobem (ver gráfico nesta página). Como as taxas são prefixadas, quando os investidores saem dos papéis mais curtos rumo aos mais longos, significa que estão fazendo uma aposta que o futuro vai melhorar.

“No primeiro trimestre, houve uma queda do prêmio (resultado da diferença da taxa indicativa do mercado secundário com o DI futuro do mesmo vencimento) da LTN com vencimento em outubro. Com isso, a taxa do título caiu e o preço aumentou no período. Já em abril, até meados do mês, a trajetória do prêmio da LTN curta se inverteu, indicando a redução do preço de mercado desse título, e, em alguma medida, uma contrapartida da demanda por vértices mais longos”, diz Cidade, no relatório.

Para completar o quadro, que já havia se iniciado na virada do mês com a queda do dólar e do prêmio de risco Brasil no exterior medido pelos contratos de CDS (Credit Default Swaps), também a captação de R$ 4, 6 bilhões de recursos em debêntures pela credenciadora de cartões Cielo trouxe um novo parâmetro de preços aos investidores. A demanda foi quase o triplo do oferta e o Bradesco BBI, responsável pela coordenação, disse acreditar que novas operações venham a mercado em breve.

Em relação às captações, a Anbima também prevê uma melhora, depois de apenas R$ 10,1 bilhões em emissões de renda fixa no primeiro trimestre, o pior em sete anos. Na segunda semana de abril, foram anunciadas medidas de incentivo às emissões para o financiamento de investimentos, em especial os de longo prazo. As medidas pretendem usar a capacidade de originação de créditos do BNDES como alavanca para o aumento das emissões de títulos de dívida no mercado de capitais local. “A proposta prevê uma redução do custo do funding total para as companhias que realizarem emissões de valores mobiliários de renda fixa em adição à aquisição de recursos junto ao BNDES, desde que os recursos sejam direcionados para o mesmo projeto”, diz o relatório.

E os fundos, após registrarem resgate líquido de R$ 2,67 bilhões no primeiro trimestre, o pior valor para o período desde o início da série, em 2002 depois de um março tenebroso, nas primeiras duas semanas do mês os investidores voltaram. Segundo a Anbima, a preferência pelos fundos de curto prazo se manteve, com entrada líquida de R$ 15,5 bilhões. Mas houve uma volta aos fundos DI (que captaram R$ 8,5 bilhões), e, ainda que mais modesta, aos fundos de renda fixa, que receberam R$ 2,9 bilhões.

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