Por monica.lima

São Paulo - O crédito deve crescer “10% ou menos” em 2015. A expectativa é da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

“O crédito não acabou nem vai acabar; não existe economia que cresça sem apoio do crédito. Mas o brasileiro está pessimista e já tomou a decisão de gastar menos. Consumidor inseguro deve poupar e é isso que ele está fazendo. Ele está certo”, diz o presidente da Acrefi, Érico Ferreira.

A preocupação dos consumidores brasileiros com a economia do país e a consequente contenção de gastos em 2015 foi detectada por uma pesquisa da empresa TNS Brasil, encomendada pela Acrefi, divulgada ontem. É a segunda rodada da mesma pesquisa - a primeira havia sido em outubro do ano passado e agora em março.

A piora ficou patente. Segundo a pesquisa, Entre os entrevistados, 85% disseram que pretendem economizar mais, enquanto 13% informaram que não mudarão o padrão de gastos e 2% disseram que devem gastar mais em 2015.

As intenções de realizar um financiamento este ano também diminuíram em relação ao ano passado. Em 2014, 61% dos entrevistados não estavam propensos a contratar um financiamento. Esse número, em 2015, chegou a 76%, registrando um aumento de 15%.66% dos entrevistados avaliam como “ruim” ou “péssima” a situação do Brasil, enquanto no ano passado 37% dos entrevistados tiveram a mesma avaliação.

Apesar desse quadro, a intenção de financiar a compra de um carro se manteve estável, com 51% dos entrevistados declarando que podem adquirir um automóvel. “O automóvel é um bem utilitário e ainda é indispensável em um país continental, onde precisa deslocar grandes distâncias. É um item básico na lista de consumo”, analisou Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi.

Para Ferreira, porém, a intenção não tem se refletido no mercado. “Se a intenção é comprar um carro, na prática é diferente. Houve queda de 15% na compra de carros financiados nos primeiros meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2014”.

A pesquisa revelou ainda que em março 62% das pessoas entrevistadas declararam ter algum tipo d divida. Desses, a maioria - 72%, segundo a pesquisa - está com dívidas em cartões de crédito. Em segundo lugar aparecem os carnês, com 22%.

Em relação à economia, 64% acham que o crescimento do país vai piorar, contra 13% que acreditam em melhora. Em 2014, esses números eram 31% e 38%, respectivamente. Além disso, 81% dos entrevistados acreditam que o desemprego vai aumentar nos próximos meses.

Ferreira acredita na recuperação da economia com as medidas do governo. “Acredito que essa recessão será relativamente curta, ao contrário de algumas na Europa, que duram anos. Essa é uma recessão de ajuste, e esperamos ter uma retomada o mais breve possível. O governo está tomando medidas, vamos crer que essa situação vai melhorar”.

Para Tingas, a desconfiança da população vai diminuir ao longo do ano. “Estamos num ciclo de ajuste da economia. Existe um momento de incerteza e esperamos que se estabilize, mas hoje a insegurança é muito maior do que será em julho, agosto. É normal no ciclo econômico”.

 Acrefi e a TNS Brasil, empresa especializada em pesquisa de mercado, ouviram 1001 pessoas, de todas as regiões do Brasil. 

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