Por diana.dantas

O acesso ao crédito está cada vez mais restrito ao consumidor. Em meio à retração econômica, em que o poder de compra do consumidor enfrenta queda progressiva, as instituições financeiras estão criando cada vez mais empecilhos aos financiamentos. De acordo com pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz, um terço dos entrevistados, o equivalente a 34%, avalia que conseguir crédito está mais difícil do que em 2014.

A pesquisa ainda aponta que quando essa dificuldade aparece, 37% dos entrevistados desistem da compra e somente 30% conseguem fazer o pagamento à vista. A maioria dos consumidores, um total de 66%, revela já ter recebido ofertas para pagar compras à vista em dinheiro.

De acordo com o levantamento, praticamente quatro em cada dez consumidores, ou 37%, dizem sentir dificuldades em usufruir de alguma forma de pagamento a longo prazo — sobretudo no caso do cheque pré-datado.

“O endurecimento nas concessões de crédito vem acontecido de forma mais forte nos últimos meses. As instituições financeiras estão mais criteriosas para quem dar o crédito. Nesse caso, a menor concessão não é o objetivo principal, mas sim menor risco de inadimplência. Por isso, os bancos e financeiras estão exigindo maiores garantias”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, acrescentando que a contratação automática de crédito não é mais opção para muitos consumidores.

“Já estamos recebendo relatos de pessoas que tinham acesso ao cheque especial e agora está cortado. Isso comprova que os consumidores não estão conseguindo crédito de forma tão rápida como há alguns meses. Os bancos só estão concedendo para quem acham que tem mais chance de pagar”, acrescenta a economista.

O estudo revela ainda que 47% dos entrevistados esperam uma situação econômica pior em comparação com o ano passado, principalmente entre as classes A e B e pessoas com maior escolaridade.

“Esse resultado reflete parte da população que tem consciência de que o custo do dinheiro aumentou e há necessidade de fazer economia. No mercado, percebemos que produtos como automóveis, imóveis e bens duráveis para casa estão deixando de ser comprados. Quem tem consciência da atual situação econômica está com medo de consumir”, afirma o coordenador da graduação em Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina, Reginaldo Gonçalves.

Outro dado importante identificado no estudo é a percepção para 57% dos consumidores de que as taxas de juros cobradas em 2015 estão maiores que no ano passado. Também é expressivo o percentual daqueles que não sabem responder a respeito — 33% dos entrevistados.

“O número representa grande parte dos consumidores que não tem muita noção de como a economia está e desconhecem as taxas cobradas no dia a dia. Ou essas pessoas não recorrem a crédito ou não tem acesso à informação. É um número bastante expressivo e preocupante”, conclui Reginaldo Gonçalves.

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