Por douglas.nunes

O aumento nas receitas com empréstimos a empresas, nas operações de tesouraria (que se aproveitam da alta dos juros) e nas mesas com commodities ajudaram o BTG Pactual a compensar mais um trimestre fraco no mercado de capitais e, principalmente, as provisões para perdas com empresas das quais é sócio, como a Sete Brasil. O lucro líquido no primeiro trimestre ficou em R$ 847 milhões, 2,6% acima do registrado no mesmo período de 2014.

O banco é um dos principais acionistas da empresa fabricante de sondas de exploração de petróleo para a Petrobras. Envolvida na Operação Lava Jato, a empresa está em vias de dar um calote. “A situação da Sete Brasil melhorou muito nos últimos 40 dias e caminha para uma solução”, acredita André Esteves, presidente do BTG. Segundo ele, a provisão de R$ 280 milhões em perdas, equivalente a 25% do valor da Sete Brasil, pode ser reavaliada. Outros R$ 257 milhões foram baixados por conta das perdas com BR Pharma.
Outra fonte de preocupação, a empresa de energia Eneva, da qual o banco era sócio e pediu recuperação judicial, também estaria, segundo Esteves, se encaminhando para uma boa solução. As afirmações foram feitas por Esteves ontem pela manhã, em teleconferência com analistas.

As receitas totais do BTG somaram R$ 1,96 bilhão, crescimento de 15% em 12 meses. Segundo Esteves, foi o maior volume trimestral já registrado. E o lucro foi o segundo maior. O maior aumento foi registrado nas receitas de empréstimos a empresas (62%), juros das aplicações financeiras (98%) e da mesa de negociação (sales and trading), com alta de 34% — o melhor resultado trimestral desde 2010. A área foi responsável por 60% das receitas no período. A performance foi puxada pelo bom resultado das mesas de commodities.

O índice de Basileia caiu ligeiramente para 16,7%, mas ainda está acima do exigido pelo Banco Central. A rentabilidade também diminuiu, para 18%. O banco não nega interesse nos ativos do HSBC que estariam a venda, segundo fontes. Entretanto, o diretor de relações com investidores, João Dantas, disse que o banco está satisfeito com o que tem, mas tem obrigação de analisar oportunidades. Recentemente, um executivo do banco disse que estava de olho em aquisições no México - portanto, pode ser que o BTG esteja olhando para a sucursal de lá, que também estaria à venda.

Esteves lembrou na teleconferência ontem que está a poucas semanas de concretizar a compra do banco suíço BSI. O BTG comprou o banco especializado em gestão de fortunas em julho , pelo equivalente a US$ 1,68 bilhão.

A divisão “principal investments”, que reúne investimentos proprietários do banco em segmentos como private equity e setor imobiliário, teve receita negativa de R$ 444 milhões, ante número também negativo de R$ 115 milhões no primeiro trimestre de 2014. Em relação às perdas registradas com suas participações em empresas com problemas, Esteves diz que todo portfólio de private equity é assim: um terço dá certo, outro empata e outro terço dá errado. “Está tudo dentro do esperado”, afirmou, citando o bom negócio feito com a Rede D’Or, da área de saúde (dona, entre outros, do Hospital São Luiz).

Esteves disse que o balanço pode, já no segundo trimestre, capturar parte do que obteve com a venda de 25% da Rede D’Or para o fundo de private equity Carlyle por R$ 1,75 bilhão no mês passado. E confirmou que pode vender mais uma fatia para o fundo. “Queremos continuar rentabilizando o investimento”, disse.

A receita da área de banco de investimento caiu 42%. “Não vimos emissões de bônus nem aberturas de capital. Mas temos um pipeline interessante de operações para sair”, disse Esteves. Segundo ele, o momento ruim da economia não atrapalha o resultado do banco porque, afinal, em épocas difíceis os clientes precisam de ajuda: “Eles querem mais consultoria, em investimentos, hedge e em fusões e aquisições”, afirmou.

Em empréstimos corporativos, a receita de R$ 328 milhões foi fruto de margens maiores, apesar de o portfólio de clientes ter diminuído. “O setor de óleo e gás não nos preocupa, as recuperações judiciais que ocorreram não nos afetaram”, afirmou Esteves.
Para o banco, o pior da inadimplência já passou, acredita. Em relação ao mercado como um todo, porém, ele vê diferente: “Somos uma proxy imperfeita da economia, pois temos exposição limitada a crédito ao consumo”, lembrou Esteves.

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