Por douglas.nunes

A compra do HSBC Brasil pelo Bradesco devolveria ao banco com sede Osasco um lugar mais acima no topo do ranking por ativos no país. O Bradesco perdeu o posto de maior banco privado para o Itaú em 2007, e a distância entre ambos apenas aumentou desde que o banco das famílias Setubal e Villela comprou o Unibanco, em dezembro de 2008.

Considerando os ativos dos três em dezembro, último dado disponível no Banco Central (o HSBC Brasil não divulga balanço trimestral), a soma de Bradesco e HSBC resultaria em R$ 1,051 trilhão, abaixo dos R$ 1,117 trilhão do Itaú. No entanto, o Bradesco praticamente encostaria no tamanho da Caixa - que tinha R$ 1,064 trilhão em dezembro (ver gráfico).
Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, o preço deve sair por volta de 1,5 vez o valor patrimonial do HSBC, que em dezembro estava em R$ 9,7 bilhões - isso equivaleria hoje a US$ 3,2 bilhões. O preço, portanto, seria de US$ 4,8 bilhões.

Fontes disseram à Reuters ontem não acreditarem, porém, que as ofertas sequer superem o valor patrimonial. “Os proponentes vão definir um preço pela unidade com base em quão rapidamente esperam que volte ao lucro”, disseram pessoas que não quiseram se identificar.

Além do Bradesco, o próprio Itaú Unibanco, o Santander Brasil, BTG Pactual e alguns estrangeiros teriam sido convidados a participar do processo, e devem enviar suas propostas até o final do mês que vem. Depois de avaliá-las, o HSBC vai escolher as que mais interessam e chamar os concorrentes para ver o “data room”, segundo informou outra fonte que preferiu não se identificar. A venda deve sair em agosto.

Para o Santander, terceiro maior banco privado no Brasil, a compra representaria ativos totais de R$ 766,2 bilhões, o que o deixaria ainda distante do Bradesco. Mesmo assim, como o banco está em busca de aumentar sua rentabilidade no Brasil - o que significa investir o capital em ativos que rendam mais receitas — a alternativa parece interessante.

“Entre todos os interessados, o Bradesco seria o maior beneficiado com a compra”, diz Rodrigues. “Desde que perdeu o Unibanco, vem procurando oportunidades”.
“O Bradesco tem capital, e já declarou uma estratégia bem definida de conquistar o varejo brasileiro. Já o Itaú tem interesses na América Latina e outras regiões”, diz o presidente da Austin Rating. Para ele, o Itaú e o BTG estariam mais interessados nas áreas de private banking e gestão de fortunas, mas o HSBC não deve optar por “ fatiar” o negócio.

A venda da unidade brasileira do HSBC ainda não foi confirmada oficialmente, mas nos bastidores já é dada como certa. Notícias sobre a venda iminente surgiram após o presidente-executivo do HSBC, Stuart Gulliver, ter mencionado Brasil, México, Turquia e Estados Unidos como possíveis mercados para alienação de unidades no mês passado. O HSBC contratou o Goldman Sachs para coordenar a transação, diz a Reuters.

“Medidas decisivas para sair de mercados importantes seriam bem recebidas pelo mercado”, disse Jason Napier, analista do Deutsche Bank AG, em uma nota no dia 5 de maio. A unidade brasileira pode ser avaliada entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4,6 bilhões, segundo Tito Labarta, analista do Deutsche Bank.

“O HSBC nunca conseguiu sucesso no varejo brasileiro desde que comprou o Bamerindus. Se não conseguir escala comprando um dos três maiores, o que é improvável, o jeito é sair do mercado”, diz Rodrigues.

Sindicatos se mobilizam contra demissões

José Adilson Stuzata, diretor da Federação dos Bancários do Paraná (a sede do HSBC Brasil fica em Curitiba) e funcionário do banco desde 1986, informa que a categoria já se mobilizou contra demissões na eventualidade de a venda se concretizar. Por enquanto, ele torce para que não aconteça, lembrando que o momento atual da economia brasileira não é favorável. “Já entramos em contato com o Banco Central e com o Cade”, diz, lembrando que o HSBC recebeu ajuda de R$ 5,8 bilhões do governo para comprar o então quebrado Bamerindus, em abril de 1997. O HSBC tem hoje cerca de 21 mil funcionários no país, afirma. <MC2>Com Bloomberg

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