Bank of Communications paga R$ 525 milhões por banco brasileiro

Banco chinês expande seus negócios no mercado brasileiro e passará a terestrutura para atender as atividades de investimento e comércio entre os dois países

Por O Dia

O chinês Bank of Communications (BoCom) anunciou ontem a compra de cerca de 80% do banco brasileiro BBM por estimados R$ 525 milhões, marcando a primeira aquisição do banco no exterior.

O negócio foi divulgado no momento em que o premiê chinês, Li Keqiang, visita o Brasil, quando foi assinada uma série de acordos entre os dois países.

“A proposta de aquisição do Banco BBM é a primeira compra do BoCom no exterior. Também marca o primeiro passo da expansão do banco na América Latina”, disse o banco chinês em comunicado.

Segundo o presidente do BoCom, Niu Ximing, a parceira comercial entre Brasil e China é o principal motivo para entrar em operação no país. “Na condição de países membros do BRICS, China e Brasil têm gradativamente ampliado o intercâmbio e a cooperação comercial e econômica. A China consolidou-se como o maior parceiro comercial do Brasil nos últimos seis anos”.

E é exatamente a partir da integração entre os dois países que surge um banco capaz de planejar e executar ações que vão ao encontro das oportunidades que ora se apresentam na economia brasileira, disse o presidente do Conselho de Administração do BBM, Pedro Henrique Mariani. Segundo ele, a importância da China como parceiro comercial do Brasil aumentará nos próximos anos, “A China desempenhará um papel cada vez mais relevante como investidor e fornecedor de crédito. Nosso banco trabalhará com afinco para se tornar um grande player no mercado, auxiliando nossos clientes em tais operações”.
Para Ximing, o BoCom trabalhará em forte sinergia com os atuais acionistas do Banco BBM para integrar sua cultura e seus valores à trajetória de sucesso da instituição brasileira. “Os dois bancos atuarão em conjunto para construir uma nova ponte que conectará as transações econômicas, comerciais e financeiras entre a China e o Brasil, a fim de melhor atender às atividades de investimento e comércio entre ambos os países e disponibilizar serviços de maior qualidade às empresas chinesas que buscam se internacionalizar e aos clientes locais no Brasil”.

O BoCom foi fundado em 1908 e tem sede em Xangai. Está entre os cinco maiores bancos da China, No primeiro trimestre deste ano, os ativos do BoCom totalizaram 6,63 trilhões de iuans (US$ 580 bilhões). O banco possui 2,9 mil unidades na China e 56 escritórios operacionais no exterior. Neste ano, o BoCom abriu uma subsidiária em Luxemburgo e uma filial em Brisbane, na Austrália.

Fundado em 1958, o Banco BBM é uma das mais tradicionais instituições financeiras do país. Suas operações se concentram nos segmentos de crédito, private banking e finanças privadas. Sediado no Rio de Janeiro, o BBM soma mais de R$ 3 bilhões em ativos, equity acionário de R$ 500 milhões e ratings de crédito local e internacional concedidos pela Moody’s.

O BBM tem sede no Rio de Janeiro e possui unidades também em São Paulo e Salvador. O banco tinha no fim de 2014 ativos totalizando cerca de R$ 3,1 bilhões, segundo o BoCom.
O BoCom tem implementado continuamente uma estratégia para se tornar um banco estatal de primeira classe e abrangente, com foco na expansão internacional e especialização em gestão de recursos financeiros.

O Citigroup e a Goldman Sachs atuaram na operação como consultores financeiros, respectivamente, do Banco BBM e do BoCom

Outros acionistas com cerca de 18% do BBM terão opção de venda de sua participação no banco brasileiro para o Bank of Communications.

A compra do BBM será paga em dinheiro e financiada com recursos próprios da instituição chinesa. A transação ainda depende do aval de reguladores na China e no Brasil.

Em mais uma associação entre Brasil e China, foi anunciado ontem um acordo de intenções entre a Serasa Experian e a seguradora estatal chinesa Sinosure - China Export & Credit Insurance Corporation com a finalidade de colaborar para aumentar e fortalecer relações comerciais entre as companhias Chinesas e Brasileiras. Com Reuters

Últimas de _legado_Notícia