Santander lança fundo de ações europeias

Com o mercado de renda variável doméstico pouco atrativo, o banco espanhol criou produto composto por papéis de empresas da região com grande potencial de retorno

Por O Dia

São Paulo - Com o objetivo de aproveitar oportunidades de renda variável no exterior, o Santander lançou um fundo multimercado de capital protegido, composto de ações de empresas europeias. O fundo, voltado para os clientes de private banking, pretende captar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões. O superintendente executivo da Santander Asset Management, Aquiles Mosca, revela ainda que um novo fundo com as mesmas características, mas composto por ações americanas, está sendo estruturado para lançamento em breve.

O Santander PB Estruturado Cesta Europeia Multimercado está aberto para captação até o dia 12 de junho e terá prazo de dez meses, até o dia 22 de junho de 2016. O investimento mínimo é de R$ 50 mil, com possibilidade de aplicações adicionais, durante o período de captação, de R$ 10 mil. A taxa de administração é de 1,5% ao ano e não há taxa de performance, entrada ou saída.

Segundo o executivo, a escolha por ações de empresas europeias se dá em razão da oportunidade de maior retorno. “Estamos fugindo do mercado americano. As ações no mercado americano estão mais caras. A Europa está mais atraente e as ações têm potencial interessantes”, afirma.

O fundo é composto por ações da Accor, Airbus, Allianz; Anheuser-Busch InBev, Cie Financiere Richemont, LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, Roche e Siemens. O retorno será dado pelo valor de fechamento dos papéis entre o início do prazo de operação do fundo, que começa no próximo dia 16, e o seu vencimento, em 22 de abril do próximo ano. Esse período também compreende a carência para resgates.

Mosca ressalta que as ações que compõem o fundo são de grandes exportadoras, voltadas para o mercado americano. Ele lembra que o Banco Central Europeu (BCE) vem adotando estímulos monetários e isso tem enfraquecido o euro, o que deixa as companhias ainda mais competitivas. “A economia dos Estados Unidos está indo muito bem. Esses grandes exportadores têm as vendas voltadas para o mercado americano. Com o euro mais fraco fica mais fácil exportar”, afirma.

O executivo explica que o fundo tem potencial de ganho máximo limitado a 18,54%, ou seja, 160% do CDI. “A partir de 5% de ganho o fundo já bate o CDI aqui no Brasil”, diz, acrescentando que não vê um cenário muito benéfico para o mercado de bolsa brasileiro este ano. “Aumento de juro, desaceleração da economia, crise política... Aqui no Brasil, o investimento em Bolsa está menos previsível e, lá fora mais favorável. O noticiário lá fora é bem diferente”, afirma.

De acordo com Mosca, pode surgir alguma oportunidade a partir do último trimestre do ano. Mas, para isso, é necessário que diversas coisas estejam acontecendo como, o ajuste fiscal, o aperto da política monetária e uma reforma no Congresso. No entanto, ele é conservador ao falar das expectativas para a Bolsa em 2016. De acordo com ele, se tudo der certo, o cenário será “bem menos preocupante para a Bolsa”.

O superintendente disse ainda que o banco já está trabalhando na adequação de seus produtos para quando entrar em vigor a nova Instrução 555 da indústria de fundo criada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com ele, hoje o fundo da instituição que aplica 100% no exterior e tem investimento mínimo de R$ 1 milhão será reformulado. “Com a nova legislação vamos reduzir o valor mínimo para algo entre R$ 30 mil e R$ 50 mil”, diz, ressaltando que este é um produto de ações globais, com papéis de países desenvolvidos e de emergentes. Além disso, o banco irá lançar um novo fundo multimercado com possibilidade de investimento de até 40% no exterior. Hoje, a regra permite no máximo 20%. “Queremos aumentar o acesso ao fundo e explorar a oportunidade”, afirma.

Outro produto que a instituição também irá lançar é o fundo Simples. Neste caso, o investimento mínimo deve situar-se em R$ 100. “Ainda não definimos a taxa de administração, mas deve ficar entre 1,5% e 2%”, explica. O fundo Simples é um produto que será vendido, prioritariamente, por canais digitais, conforme determina a nova regulação.

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