Rodrigo Kede substitui Laércio Cosentino no comando na Totvs

Executivo, que fez carreira na IBM, assume cargo do fundador da companhia brasileira de software de gestão, criada em 1983

Por O Dia

De um lado, um executivo brasileiro que construiu uma trajetória de estagiário a presidente da operação local de uma das principais multinacionais globais de tecnologia da informação (TI). Na outra ponta, uma empresa brasileira criada em 1983, com um aporte de US$ 6 mil, e que se tornou a sexta maior companhia mundial de software de gestão, com uma receita de R$ 1,77 bilhão. Agora, essas duas histórias singulares no mercado nacional de TI estão unindo forças para seguir a mesma trilha.

Desde ontem, Rodrigo Kede é o novo diretor-presidente da Totvs. Ele irá substituir o fundador Laércio Cosentino, que continuará como executivo-chefe da companhia por um período de transição de até três anos. Concluído esse processo, Kede acumulará os dois cargos e Cosentino permanecerá como membro do conselho de administração e como presidente do comitê de estratégia e tecnologia da empresa. Com o anúncio, Kede deixa de integrar o conselho de administração da Totvs, do qual fazia parte desde outubro do ano passado.

“Hoje é um dia especial para nós, mas, ao mesmo tempo, é um caminho natural. Estamos iniciando mais um capítulo de uma história de sucesso e é um passo consciente que a Totvs está dando para buscar equilíbrio e a manutenção do crescimento”, afirmou Cosentino, durante evento que marcou o anúncio da chegada de Kede à empresa. “Vou passar a focar mais a definição e o acompanhamento da estratégia de tecnologia, de produtos e de distribuição, e terei mais tempo para estar mais próximo dos clientes”, observou.

Presidente da IBM no Brasil de 2012 a 2014, Kede ocupava desde janeiro a posição de vice-presidente mundial de estratégia e transformação da IBM. Em mais de vinte anos na “Big Blue”, o executivo teve passagens ainda por cargos como vice-presidente da divisão de serviços de tecnologia e diretor administrativo e financeiro para a América Latina. “Já vínhamos conversando há algum tempo e o que mais me tocou foi a possibilidade de trabalhar o meu lado empreendedor. Gosto de construir, inovar e acredito que uma empresa nacional dá mais liberdade para você colocar em prática suas ideias”, afirmou Kede. Longe de uma ruptura, no entanto, o executivo disse que planeja investir na manutenção da estratégia que a Totvs vem construindo nos últimos anos. “Meu mandato será de continuidade, com valor. A Totvs sempre foi muito bem-sucedida, mas o meu objetivo é acelerar o crescimento e a inovação. Tenho muito para contribuir em frentes como internacionalização, gestão de pessoas e relacionamento com os clientes”, explicou.

Dado o seu histórico na IBM, a proximidade de Kede com os clientes de grande porte é um dos possíveis ganhos da contratação do executivo. A Totvs construiu sua liderança no mercado nacional com a forte presença entre as médias empresas e, especialmente, entre os clientes de pequeno porte. Nessa última vertente, a companhia possui uma participação de 51%, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Hoje, por meio da Totvs Private, a Totvs já atende mais de cem grupos brasileiros com faturamento acima de R$ 2 bilhões. No entanto, a empresa ainda tem pela frente o desafio de aumentar sua participação no topo da pirâmide, dominado por multinacionais como a alemã SAP. “A Totvs tem um DNA de pequenas e médias empresas, mas nada impede que a companhia amplie sua presença entre os grandes clientes. Essas empresas também estão buscando fugir de soluções pesadas e inflexíveis, e o portfólio que temos hoje atende a essas necessidades e a todos os portes de cliente”, disse Kede.

Como parte de um movimento que inclui uma forte guinada à computação em nuvem e à transição do licenciamento tradicional de sistemas para a venda de software como serviço, a Totvs apresenta hoje uma série de novidades durante o Universo Totvs, seu evento anual voltado a clientes e parceiros. Um dos anúncios é um modelo de comercialização, batizado de Intera. Baseado em assinatura mensal, ele dá acesso via nuvem a toda a linha de softwares da companhia, bem como à plataforma de produtividade e colaboração Fluig. “Hoje, já somos uma empresa de software como serviço. Quase 70% da nossa receita já é recorrente, mas temos diferentes modelos de aquisição, pois nosso foco é oferecer conveniência para que o cliente escolha o que é mais adequado para a sua necessidade”, afirmou Cosentino.

Com forte apelo de mobilidade, a Fluig — que já conta com cerca de 500 mil usuários e se integra também a sistemas do portfólio de companhias rivais — também passa a contar com novas funções, como um aplicativo que une recursos similares aos do WhatsApp e do Skype; uma plataforma de gestão de aprendizado; e ofertas no conceito de gamificação, pelas quais as empresas poderão criar, por exemplo, campanhas de vendas com regras e recompensas para os seus colaboradores.

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