Por monica.lima

São Paulo - O Brasil é prioridade para o Citi, a instituição tem um compromisso de longo prazo e não pretende deixar o país. A afirmação foi feita pelo presidente do banco, Hélio Magalhães, no último dia da Ciab Febraban. O executivo disse ainda que, com a saída do HSBC do Brasil, o Citi pode ser favorecido com a concentração bancária.

“Temos um compromisso de longo prazo aqui, que já chega aos 100 anos. A nossa estratégia é crescer de forma orgânica nos mercados em que atuamos, sempre com foco nos segmentos nos quais estrategicamente decidimos atuar. E o Brasil está totalmente alinhado à estratégia global”, disse.

Magalhães ressaltou ainda que não cabe comparação com o HSBC, pois são estratégias distintas. “Nossos principais diferenciais competitivos vêm do fato de sermos um banco global, presente em mais de 100 países, com foco de atuação bem definido. A globalização e a nossa capacidade de apoiar nossos clientes nos mercados internacionais, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, ganha ainda mais relevância neste momento”, afirmou.

De acordo com o executivo, mesmo a desvantagem em relação aos principais rivais em termos de escala pode ser compensada por uma maior agilidade do banco, a partir do foco em nichos mais rentáveis.

Magalhães voltou a descartar o interesse na compra do HSBC no país, assim como a chance de se desfazer de ativos no Brasil, que é um dos dez maiores mercados do Citi no mundo.

O executivo elogiou mudanças feitas pelo governo federal no novo pacote de concessões de logística, com tendência de maior uso de instrumentos de mercado de capitais para financiamento dos projetos, substituindo parte dos recursos subsidiados do BNDES.

“O governo está sinalizando maior equilíbrio entre financiamento em taxas de retorno aos investidores”, disse. “Nos últimos dias, o volume de perguntas de investidores estrangeiros sobre o Brasil cresceu bastante”.

Para Magalhães, o volume de investimentos de longo prazo deverá crescer, a despeito do atual cenário adverso da economia.

“O Brasil passa por um momento de ajustes, o que inevitavelmente impacta nosso PIB, que deverá ser negativo em 2015, além de pressionar a inflação. São ajustes necessários, que possibilitarão ao país voltar a crescer, ainda que de forma discreta, já em 2016. Vemos muitas oportunidades no Brasil, em especial na área de infraestrutura. Há muitos projetos a serem realizados e isso já chama a atenção dos investidores”, disse.

Magalhães afirmou ainda que o mercado de capitais tem muito espaço para amadurecer.
“Vemos espaço para o amadurecimento do mercado de capitais no Brasil, que certamente será uma das formas de financiar os investimentos que precisam ser feitos”, concluiu.

Na quarta-feira, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, disse que a instituição fará uma oferta vinculante pela unidade brasileira do HSBC em julho.

“Nós fizemos uma oferta e estamos analisando”, disse Trabuco também na Ciab Febraban. “A oferta vinculante será feita em julho de acordo com calendário do vendedor”, acrescentou. Com Reuters

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