Novo presidente da Ancord espera poucos IPOs este ano

Caio Villares, que representa as corretoras de títulos e valores, prevê que o momento de retração da atividade econômica do país é desfavorável para empresas atraírem investidores com oferta de ações na BM&FBovespa

Por O Dia

São Paulo - O agravamento da retração da atividade econômica associado ao arrocho monetário gerado pelo ajuste fiscal não favorece a abertura de capital de empresas na BM&FBovespa. A avaliação pouco otimista é do novo presidente da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), Caio Villares, da Corretora Concórdia.
Apesar da expectativa da Bolsa de que pelo menos mais duas empresas façam oferta primária de ações (IPO, na sigla em inglês) neste ano, o presidente da Ancord disse ao Brasil Econômico que se surpreenderia se isso acontecesse. “Quem faz IPO quer vender as ações no melhor momento possível. Precisa ter muita fé para ver mais IPO este ano”, diz.

Caio Villares lembra que o país está passando por um forte ajuste fiscal e que ainda não é possível prever até quando irá este processo. “Eu não sei por quanto tempo vai ser necessário tomar este remédio, nem a dose, mas é um remédio necessário para a solução dos problemas”, diz, ressaltando, ainda que é fundamental que as reformas sejam aprovadas para que o país retome a direção certa.

Sobre a possibilidade de as agências de classificação de risco rebaixarem a nota do Brasil, Villares concorda que seria um “remédio ainda mais doloroso”, no entanto, ele pondera que essa pressão acaba contribuindo para que o necessário seja feito. “Essa possibilidade tem dado mais força para o Levy (Joaquim Levy, ministro da Fazenda) fazer o que tem que ser feito”, afirma.

Sobre o debate em relação à necessidade de criação de barreiras à saída de empresas listadas no Novo Mercado em virtude do aumento de ofertas de aquisição de ações (OPA, na sigla em inglês) causado pela queda dos preços dos papéis, Villares manifestou-se contra ao aperto das regras de permanência das companhias listadas no segmento. “Não dá para ficar pedindo para apertar a regra. O investidor é que tem que punir a empresa”, avalia.

Há apenas três meses no comando da Ancord, Caio Villares reconhece que as corretoras passam por um grande desafio para sobreviverem às novas realidades do mercado. E diz que um dos seus principais objetivos na entidade é acabar com a sobreposição de auditorias externas exigidas pela autorregulação de mercado. Segundo ele, o assunto será discutido nos próximos dias pela Ancord em reunião com a BM&FBovespa Supervisão de Mercado (BSM), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e Cetip.

Segundo Villares, essas instituições muitas vezes adotam procedimentos idênticos e a sobreposição leva a uma carga ineficiente de investimento de tempo, de pessoas e de custos para as empresas. Por ano, segundo o executivo, as corretoras gastam, em média, mais de 50 dias úteis com auditorias. “Não queremos baixar a régua, o que precisamos é um pouco de bom senso. O que precisa é ter uma espinha dorsal. Você vê isso, ela vê aquilo e fazemos um acordo de acesso à informação. É mais eficiente e reduz custo para todas as corretoras”, avalia.

De acordo com o executivo, a reunião irá delinear os objetivos e passar para a área técnica para ver como será possível viabilizar as ideias para acabar com a sobreposição. “A gente já deu um grande passo. O conceito foi incorporado. Agora é ver como vamos começar e como chegaremos lá. Só ter essa ideia já dá uma direção do que devemos fazer, porque se criou uma estrutura irracional”, afirma.
Sobre a regulação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Villares observa que as auditorias são mais específicas e esporádicas mas que também pretende fazer uma discussão em um segundo momento.

Outro ponto relevante para o presidente da Ancord é a questão da certificação dos agentes autônomos. Hoje, a Associação é responsável por elaborar e aplicar as provas e isso acontece apenas 37 vezes por ano, em 11 cidades, sendo quatro vezes em São Paulo e três em cada uma das demais. “Outro grande problema para o segmento, além do atual momento macroeconômico desfavorável, é a pouca quantidade de provas de certificação que são disponibilizadas hoje. Queremos ampliar e dar fluidez a este processo”, afirma.

Para isso, a Ancord fechou uma parceria com uma importante instituição de ensino — que em breve será divulgada — que passará a ser responsável pela elaboração e aplicação das provas. “Vai aumentar o acesso, o número de provas, os cursos de preparação e a qualidade da certificação”, afirma.

De mais longo prazo, o terceiro objetivo do novo presidente da Ancord é fortalecer os agentes autônomos, para torná-los “mais parrudos”, diz. “Hoje o agente é apenas o executor da ordem, o objetivo é ampliar o papel deste profissional para que ele possa fazer gestão e, consequentemente, ter mais responsabilidade”, diz Villares, ressaltando que o tema ainda está em fase de elaboração, mas a ideia é criar categorias opcionais. “Se ele quiser fazer a gestão vai ter que ter a certificação para isso. É o profissional que escolhe se quer ou não ampliar suas funções e responsabilidades”, explica, acrescentando que hoje somente as corretoras respondem por qualquer eventual erro do agente autônomo.

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