Por monica.lima

São Paulo - A alta dos juros e as incertezas no cenário macroeconômico continuam favorecendo as estratégias conservadores dos investidores. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a captação liquida dos fundos de investimentos em junho até 22 somam R$ 6,08 bilhões e no ano R$ 29,5 bilhões, mas este cenário tende a mudar no segundo semestre com a piora da economia.

Até o dia 22 de junho, as captações líquidas dos fundos concentravam-se nas categorias curto prazo, renda fixa e previdência. Ao contrário do mês passado, em que o fundo referenciado DI foi destaque positivo, neste mês está registrando a maior retirada, de R$ 9 bilhões. No acumulado do ano, no entanto, a categoria fica na terceira posição em captação líquida, atrás de previdência e curto prazo, respectivamente.

Segundo a analista da Órama Investimentos Sandra Blanco, a indústria de fundos vai continuar atraindo o interesse dos investidores, no entanto, ela pondera que talvez possa haver menos disponibilidade de recursos das pessoas para investir.

“Temos pela frente um cenário de muitas incertezas e que deve levar a um forte aumento do desemprego e também a uma grande queda da renda do consumidor. Isso deve se refletir nos fundos”, prevê a analista, acrescentando que, além de ser possível uma redução no aporte dos fundos, também pode acontecer mais retiradas. “Se as pessoas se encontrarem em dificuldades financeiras certamente irão recorrer às suas poupanças para poderem honrar seus compromissos”, avalia.

Para o sócio da Garde Asset Management e ex-presidente da Anbima, Marcelo Giufrida, os fundos multimercados tiveram um primeiro trimestre bastante volátil em razão da forte alta do dólar, mas depois houve uma convergência dos mercados para os fundamentos. por ser um produto que sofre influência tanto de dólar, juro e bolsa, o multimercado acaba, em alguns casos, afastando o investidor que não está acostumado com volatilidade. “O multimercado é um bom aliado do investidor neste momento de volatilidade mas é preciso entender o mercado”, diz.

Além dos desafios domésticos, Giufrida lembra que ainda há incertezas externas que devem trazer forte volatilidade aos negócios. “A tendência é ficar bem volátil. Lá fora ainda tem questões importantes como a Grécia e os juros nos Estados Unidos. Além disso, também há complicações em alguns países emergentes. Vai ser um período de volatilidade”, pondera.

O executivo não descarta a possibilidade de fuga de recursos do Brasil para os EUA quando o movimento de aperto monetário começar por lá. “Vai ser uma mudança de dinâmica. Quando os EUA começarem a subir os juros, aqui vai estar parado ou até em queda. Para o investidor que está fazendo arbitragem muda o cenário e, pode, sim, ter alguma migração”, avalia.

No caso da previdência, no mês passado a Anbima destacou que a captação líquida do segmento ficou em R$ 2,9 bilhões e que se esta tendência fosse mantida se configuraria o melhor primeiro semestre para a captação líquida desses fundos, que têm patrimônio líquido concentrado em renda fixa, 96,1% do total da categoria, e destes, 18% voltados para fundos com parcela das carteiras direcionadas aos títulos privados. Ou seja, considerando que a captação superou os R$ 3 bilhões, o segmento já pode comemorar.

O executivo ressalta ainda que o saldo dos fundos em junho pode já estar refletindo, em parte, um deslocamento em razão das mudanças nos títulos incentivados letras de crédito imobiliária e do agronegócio (LCIs e LCAs).

“Além das medidas do governo, os bancos também diminuíram a emissão desses papéis, principalmente LCI, porque o setor não vai bem, então o investidor volta para os fundos que têm boas rentabilidades”, avalia.

Patrimônio em dólares volta para nível de junho de 2010

Em maio, o patrimônio da indústria de fundos foi de R$ 2,64 trilhões, maior valor já registrado historicamente, segundo dados da consultoria Economatica. Houve crescimento do patrimônio pelo quinto mês consecutivo sendo que, entre os meses de abril e maio o crescimento foi de 1,47% e no ano, 6,42%.

Em dólares, no entanto, o patrimônio foi de US$ 843,1 bilhões, esse valor não era registrado desde junho de 2010, quando o mercado tinha US$ 804,2 bilhões.

De acordo com dados da Economatica, em agosto de 2014 o patrimônio da indústria em dólares atingiu um dos seus maiores valores com US$ 1,3 trilhão, acima dos US$ 843,1 bilhões em maio último, representando uma queda de 25,44% ou US$ 287,7 bilhões.

No mesmo período o dólar Ptax venda teve valorização de 41,9%, saindo de R$ 2,24 para R$ 3,18. A queda do patrimônio da indústria em dólares foi fortemente impactada pela valorização da moeda norte-americana.

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