Presidente do Grupo Santander destaca solidez da Europa

Em Madri, Ana Botín previu euro mais forte para enfrentar a crise grega e confirmou interesse por HSBC Brasil

Por O Dia

Madri, Espanha - A presidente mundial do Grupo Santander, Ana Botín, ressaltou ontem a força institucional do sistema financeiro europeu, que segundo ela, realizou reformas estruturais importantes após a crise financeira mundial de 2008, juntamente com os Estados Unidos, para trazer mais segurança para o setor. “A Zona do Euro é uma fortaleza institucional e o sistema financeiro europeu está mais sólido”, disse Ana Botín, durante abertura do XIV Encontro Santander América Latina, em Madri.

Sobre a crise da Grécia, a executiva disse que o Eurogrupo quer que o país permaneça na zona do euro, mas ressaltou a importância de que todos os compromissos sejam cumpridos. “É importante que os compromissos sejam cumpridos, pois são a base para o pacto social da Europa e no mundo. Confio que teremos um acordo. É necessário uma maneira sensata de cumprir o compromisso. Nossos clientes, quando têm dificuldades, tentamos ajudar. Isso é o que esperamos”, disse.

Em relação ao risco do banco na Grécia, a executiva informou que a instituição tem pequena exposição no país. “O Santander tem exposição mínima. O importante é o sistema privado. A ligação direta é mais limitada”, afirmou.

Sobre o impacto no euro de uma possível saída da Grécia da região, Ana Botín afirmou que hoje a moeda europeia é muito mais forte. “O euro tem feito avanços nos últimos três a quatro anos. O sistema europeu é mais forte, tem feito progressos significativos que ajudam a enfrentar as incertezas e volatilidades do atual momento”, disse.

A presidente do Grupo Santander confirmou o interesse da instituição na compra do HSBC Brasil. Segundo Ana Botín, o Santander sempre está de olho em oportunidades de compra onde atua, mas não quis dar mais detalhes da proposta de aquisição entregue pelo banco na segunda-feira. “Estamos no processo, não posso comentar mais”, disse.

No Brasil, o banco já comprou o Real e o Banespa. A executiva admitiu que nem sempre fez bons negócios, como no caso do Banespa. “No passado fizemos coisas boas outras não. Nos últimos dois anos tivemos enormes avanços”, afirmou.

Ana disse ainda que hoje o Santander tem sido mais rigoroso ao analisar oportunidades de compras de outros bancos. Ela destacou que as estratégias de compras foram usadas no passado, porque o objetivo era crescer na América Latina e também Europa. “Hoje tudo mudou. O Brasil não é o mesmo de cinco anos atrás e nós também precisamos mudar. Nossa estratégia de comprar bancos pequenos foi usada porque também éramos pequenos”, disse.

A executiva afirmou que, após a compra dos Real e do Banespa, foi necessário uma transformação para adaptar essas instituições à cultura do Santander. “Levamos tempo fazendo essas transformações”, disse.

Embora a executiva tenha confirmado o interesse pelo Brasil, ela mostrou preocupação como atual cenário macroeconômico de retração do país e disse que espera que seja um período curto. “Esperamos que o período de ajuste econômicos no Brasil seja curto, mas que o País saia fortalecido. É importante que sejam feitas reformas que permita que o Brasil possa competir e que passe por ciclos mais suaves, com políticas suaves”, afirmou.

Segundo a diretora de pesquisa e políticas públicas do Grupo Santander, Alejandra Kindélan, o problema do país grego é uma questão isolada e não afeta os países periféricos. “Temos que avaliar a Grécia como um caso excepcional. A Espanha fez reformas profundas e está crescendo. A Europa hoje é mais forte e mais preparada para enfrentar as crises”, afirmou.

Sobre a expectativa de crescimento da economia, a diretora estima que a economia mundial crescerá 3,5% este ano e de 3,75% a 4% de 2016 a 2018. Para os países desenvolvidos, as previsões são de 2,25% este ano e de 2% a 2,25% nos próximos três anos. Para os países emergentes as estimativas são 4,2% e de 4,5% a 5%, respectivamente. “A América latina tem situação heterogêneas, vai depender da exposição de país em matéria prima, desafios estruturais e questões geopolíticas”, afirmou.

No caso do Brasil, Alejandra espera um crescimento negativo este ano de 1%, com expansão de 0,5% em 2016 e de 2% em 2017. “O Brasil está adotando políticas ortodoxas. O país precisa recuperar a credibilidade. Acredito que será um ajuste e uma recessão de curto prazo. Este é o ponto de partida”, afirmou.

Sobre o risco de o Brasil perder o grau de investimento, a diretora disse não acreditar nesta possibilidade. “O Brasil está fazendo os ajustes necessários. Não creio em rebaixamento”, afirmou.

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