Dólar fecha em queda de quase 1% ante real, por ação de exportadores

Na primeira metade do pregão, moeda americana chegou a ser negociada com alta de 0,60% --máxima de R$ 3,1800

Por O Dia

São Paulo - O dólar fechou em queda de quase 1% sobre o real nesta segunda-feira, após recuar mais de 2% na sessão passada, com operadores citando vendas concentradas à tarde por exportadores para aproveitar o patamar elevado da divisa norte-americana.

Na primeira metade do pregão, o dólar foi chegou a ser negociado com alta de 0,60% --máxima de R$ 3,1800 -- com os investidores recebendo bem o acordo sobre novo resgate para a Grécia, mas ponderando que os problemas entre Atenas e seus credores ainda não foram completamente resolvidos.

A moeda norte-americana caiu 0,96%, a R$ 3,1308 na venda, acumulando queda de 3,24% nas últimas duas sessões.

"Houve um fluxo pontual, ligado a exportadores e o mercado aqui acabou se descolando dos mercados externos", disse o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

Apesar de ter caído 2,3% na sexta-feira, antecipando um acordo de líderes da zona do euro sobre a Grécia, a moeda norte-americana ainda acumulava alta de 1,7% neste mês até a sessão passada, rondando as máximas em três meses, o que abriu espaço para vendas de dólares, segundo operadores.

Líderes da zona do euro chegaram a um acordo que fará a Grécia ceder grande parte de sua soberania à supervisão externa em troca de resgate de 86 bilhões de euros, que manterá o país dentro do bloco monetário. Mas o documento ainda é sujeito a aprovação parlamentar e o resgate só acontecerá se o premiê Alexis Tsipras implementar diversas reformas impopulares dentro de um cronograma apertado.

"O acordo na Grécia é uma boa notícia, mas nem tudo são rosas", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano, acrescentando que "a possibilidade de um acordo na Grécia já havia sido parcialmente incorporada (pelo mercado de câmbio) na sexta-feira".

Internamente, o mercado também se concentrou em possíveis mudanças nas metas fiscais do governo brasileiro, especialmente levando em conta que nesta quarta-feira a agência de classificação de risco Moody's dá início a visita ao país.

A expectativa do mercado é que a Moody's rebaixe o Brasil em um degrau, a "Baa3", última classificação dentro do grau de investimento e em linha com a Standard & Poor's e a Fitch.

Mas investidores temem que a agência também atribua perspectiva negativa à nota. Segundo analistas, esse cenário seria mais provável se o governo reduzir o objetivo fiscal para o ano que vem, enquanto uma piora na meta para este ano já é esperada pelos agentes econômicos.

"As agências de rating terão de considerar que... a maior parte do fardo (de controlar a inflação) terá de cair sobre a política monetária, o que gera uma situação que não é ideal", escreveu em relatório a estrategista para mercados emergentes do grupo financeiro Jefferies, Siobhan Morden.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse nesta segunda-feira que manter a meta para este ano é uma "hipótese factível", mas que o governo tem avaliado o cenário fiscal e vai se pronunciar sobre assuntos fiscais na próxima semana.

Nesta manhã, o Banco Central brasilerio vendeu a oferta total no leilão de rolagem de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Com isso, repôs ao todo o equivalente a US$ 2,455 bilhões, ou cerca de 23% do lote de agosto, que corresponde a US$ 10,675 bilhões.

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