Por monica.lima

A Semana Nacional de Educação Financeira começa hoje com diversos eventos no país, mobilizando órgãos reguladores, entidades e empresas com o objetivo de difundir conhecimentos para investidores e empresas sobre o sistema financeiro nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores. A abertura oficial da Semana será realizada hoje no Rio com o presidente do presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira, e representantes do Banco Central, Superintendência de Seguros (Susep), Secretaria Nacional do Consumidor, Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e BM&FBovespa.

Coordenada pela CVM, a Semana será realizada no Brasil pela primeira vez e contará também com um Mutirão de Renegociação de Dívidas. O superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da CVM, José Alexandre Vasco, destaca a importância do evento: “A educação financeira é o que cria a cultura do bom uso dos produtos financeiros, o crédito inclusive. Todo o esforço da CVM nesse sentido é para que os participantes tomem decisões financeiras bem informados”, afirma o executivo.

A Semana propagará ensinamentos não apenas para os investidores mas também para pequenas empresas. Em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), a CVM lança amanhã o livro “Relações com Investidores — Da Pequena Empresa ao Mercado de Capitais”, que mostra como a boa comunicação com o mercado financeiro ajuda a baratear a captação das empresas, independentemente do tamanho da organização. As orientações são convenientes para o momento atual, em que bancos se mostram com menos apetite ao risco.

“A educação financeira também passa pelo empreendedor. A concessão de crédito está relacionada à quantidade e à qualidade das informações disponíveis sobre o tomador, seja ele qual for. Facilitar a análise de risco pode ser uma saída num ambiente com bancos mais restritivos. Temos muito o que avançar nesse aspecto no Brasil”, ensina Geraldo Soares, presidente do Conselho de Administração do Ibri.

Soares, que também é superintendente de Relações com Investidores (RI) do Itaú Unibanco, explica que qualquer empresa, durante toda a sua trajetória, precisa de investidores. Sejam bancos ou compradores de notas promissórias, são eles que decidem o custo do dinheiro de acordo com o risco do empreendimento, medido pelas informações apresentadas pelo tomador. “A empresa se preocupa com o que pensa o cliente e a mídia, mas não tem a mesma relação com o mercado financeiro, que decide o custo do financiamento dela. No livro procuramos mostrar que a comunicação é importante em tudo”.

Um exemplo de prática onerosa para a empresa, conta Soares, é confundir o bolso do dono com o caixa da empresa. Isso deixa as informações confusas e fazem com que o empreendedor perca credibilidade, qualidade sempre buscado pelo investidor. “Quando o empresário vai ao banco atrás de financiamento, está fazendo RI, já que a discussão ali é sobre transparência”.

A publicação vai mostrar o caminho para pequenas e médias empresas conseguirem melhorar seu acesso aos financiamentos. “Controles internos, compliance, e a política de divulgação dos resultados são exemplos de ações que facilitam a captação por parte das empresas. Elas devem se espelhar em companhias abertas antes mesmo de vislumbrar uma abertura de capital”. O livro descreve dois casos de companhias, Helbor (incorporadora) e Localiza (locadora de veículos), que seguindo esses preceitos desde o início chegaram até a bolsa de valores. “Há um espaço gigantesco para as PMEs na bolsa brasileira, hoje muito concentrada apenas em grandes empresas”. A edição, que será disponibilizado na versão digital no site da CVM e do Ibri, é mais um movimento da autarquia para melhorar o acesso de pequenas e médias empresas (PMEs)ao mercado de capitais.

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