Apesar do repique, Ibovespa segue em tendência de baixa

Índice caiu para os 44.910 pontos na sexta-feira, o menor nível de fechamento desde abril de 2009

Por O Dia

Atualizado às 15h07

São Paulo - Após o Ibovespa recuar 1,17% na sexta-feira, para os 44.910 pontos, patamar de fechamento mais baixo desde abril de 2009, a semana começa com repique. Por volta das 15h desta segunda-feira, o principal índice da Bovespa subia 0,14% para os 45.026 pontos.

No entanto, não há sinais de retomada de uma tendência positiva no curto prazo. “O movimento da semana passada foi importante, pois o índice perdeu o suporte de 46.100 pontos, o que aumentou a inclinação de venda. Portanto, mesmo com alguns repiques, a tendência de baixa tende a continuar nas próximas sessões”, disse o analista técnico da Clear Corretora Raphael Figueiredo.

Na agenda externa, o grande destaque da semana será a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre a taxa de juros, na quarta-feira. A expectiva é que o juro seja mantido entre zero e 0,25% ao ano e que o ritmo de redução do programa de compra de títulos se mantenha em US$ 10 bilhões ao mês.

“Os treasures dos Estados Unidos estão em queda, o que aponta que o volume de retirada dos estímulos deve se manter em US$ 10 bilhões. No entanto, sempre pode vir uma surpresa, por isso o evento deve focar atenção do mercado”, afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, para quem o impasse na Europa com a situação da Ucrânia é uma nuvem que pode atrapalhar os negócios.

Nesse domingo, a população da Crimeia aprovou a separação da Ucrânia por meio de um plebiscito, o que credencia a Rússia a anexar oficialmente a região ao país. Entretanto, o resultado não é aceito pela União Europeia nem pelos Estados Unidos, que planejam impor sanções a Moscou caso o presidente da Rússia, Vladmir Putin, não recue.

Entre os dados nacionais, o destaque será a prévia da inflação de março, o IPCA-15, que será conhecido na sexta-feira. “Esse indicador pode deixar ainda mais evidente que o Banco Central terá de subir a Selic em 0,25 pontos base na próxima reunião”, disse Perfeito.

Para o economista, a expectativa de inflação "está fora do lugar", entre outros motivos, pela decisão recente do governo de adiar o reajuste da conta de luz para 2015.

“O fato gera constrangimento para a política monetária. Além disso, a inflação de curto prazo que, apesar de comportada, não está nada confortável, deixa espaço para o Banco Central subir em doses homeopáticas a taxa de juros ao longo do ano, fazendo uma política monetária mais espaçada”, afirmou.

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