Por marta.valim

Não demorou muito para que a Pacific Investment Management Co. fosse atraída de volta ao Brasil.

Três meses após o cofundador Bill Gross dizer que o país não era mais o mercado preferido da empresa, o vice-diretor de investimentos, Mark Kiesel, escreveu, na semana passada, que a queda dos bônus corporativos e do governo do Brasil os tornou atrativos novamente.

Kiesel, um dos seis gestores de fundos promovidos depois que o ex-CEO Mohamed El-Erian pediu demissão, em janeiro, diz ver oportunidades em notas soberanas e dívidas de empresas como Petrobras e Itaú Unibanco Holding SA.

Gross se aborreceu com a maior economia da América Latina em janeiro, depois que a onda de investimentos da presidente Dilma Rousseff fracassou em impulsionar o crescimento e estimulou a inflação, provocando perdas nos títulos de dívidas, no ano passado, que dobravam a média dos países em desenvolvimento. A mudança de direção da maior gestora de fundos de bônus do mundo reflete uma recuperação dos ativos brasileiros nos últimos 30 dias em meio à especulação de que Dilma irá alterar políticas antes das eleições de outubro, já que sua taxa de aprovação está em queda.

“Entre os mercados emergentes, o Brasil tem sido o garoto-propaganda, tanto nos anos de boom quanto agora, no extremo oposto, em que as pessoas ficaram tão pessimistas e quase viraram 180 graus, na outra direção”, disse Bryan Carter, gerente monetário da Acadian Asset Management, que supervisiona US$ 300 milhões de ativos de renda fixa em mercados emergentes, por telefone, de Boston. “Da mesma forma que talvez tenhamos ficado muito otimistas alguns anos atrás, agora ficamos muito pessimistas. Isso está bastante claro”.

‘Preocupações com inflação’

Gross, que disse que o Brasil já não era seu mercado emergente preferido na ETF Virtual Summit 2014, em 15 de janeiro, reduziu bônus e reservas brasileiras para o equivalente a 2,88 por cento de seu Total Return Fund, de US$ 232 bilhões, no final do primeiro trimestre, contra 4,18% seis meses antes.

O fundo perdeu 1,56% nos últimos 12 meses, ficando atrás de 89 por cento de fundos desse tipo no mesmo período, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“A exposição modesta às taxas de juros locais brasileiras, enquanto os rendimentos subiram devido à preocupação com a inflação”, resultou em retornos negativos ou neutros para o Total Return Fund em 2013, segundo o relatório trimestral de investimento da Pimco, de 31 de dezembro.

Mergulho dos bônus

Os bônus denominados em dólares do Brasil perderam 11,2 por cento no ano passado, o pior desempenho desde 1998 e mais que o dobro da queda média de 5,3 por cento dos mercados emergentes monitorados pelo JPMorgan Chase Co.

Kiesel disse em um relatório de pesquisa de 14 de abril, no site da Pimco, após uma viagem ao Brasil, que os operadores estão “agregando às taxas uma alta que provavelmente não se materializará nos próximos anos”, tornando a dívida local atrativa.

“Continuamos buscando oportunidades de investimento para nossos clientes no Brasil em crédito soberano, câmbio estrangeiro, taxas e empresas locais”, disse Michael Gomez, chefe de mercados emergentes da Pimco, em um comunicado enviado por e-mail por Mark Porterfield, porta-voz da empresa. “O valor particular existe, nesse momento, no lado das taxas locais”.

Pesquisas eleitorais

Um salto de 3,9% no real nos últimos 30 dias ajudou a reforçar os retornos dos bônus do governo em moeda local. As notas ganharam 5,8% no período, aumentando os ganhos para 13,2% desde o final de janeiro.

O Ibovespa saltou 15,6% em relação à maior baixa em cinco anos, registrada em 14 de março.

“A sensação era tão negativa que os mercados provavelmente tinham se excedido e poderiam melhorar a partir de níveis baixos, dado que o valor relativo finalmente tinha se tornado atrativo”, disse Kiesel, apontado em 2012 pela Morningstar Inc. como o gerente de fundos de renda fixa do ano, no relatório, na semana passada. “A sensação altamente negativa estava esmagando a precificação de riscos do mercado”.

Você pode gostar