Mercados emergentes compram dólares baratos para aumentar reservas

Países em desenvolvimento refazem suas reservas, que foram reduzidas para arcar com efeitos colaterais da retirada de estímulos do Fed

Por O Dia

Países como a Colômbia e a Indonésia estão aproveitando o rali mais longo das moedas dos mercados emergentes desde 2009 para acumular reservas recordes, aumentando sua capacidade de se defender da próxima crise do mercado cambial internacional.

Os 12 países em desenvolvimento com as maiores reservas, excetuando a China, agregaram US$ 34 bilhões nos últimos três meses, aumentando o valor de suas posses combinadas para US$ 2,98 trilhões em 30 de abril, o maior desde que a Bloomberg começou a compilar os dados, em 2008. Uma medida das 20 moedas principais dos mercados emergentes está se recuperando depois que uma queda de 11% em 12 meses levou-a em fevereiro ao nível mais baixo desde abril de 2009.

“Faz sentido aproveitar enquanto é tempo, já que eles devem ter gasto algumas reservas”, disse Clyde Wardle, estrategista do HSBC Holdings Plc, em entrevista telefônica de Nova York em 8 de maio.

As reservas dos mercados emergentes foram reduzidas em US$ 22 bilhões só em janeiro, à medida que os países se defendiam dos especuladores cambiais para deter os efeitos adversos dos cortes que a Reserva Federal dos EUA realizou na compra de títulos e da instabilidade política e financeira internacional. Desde então, a medida de moedas apresentou um rali de 5% desde a baixa de fevereiro e os decisores políticos agora estão comprando dólares para moderar os ganhos, o que tornam as exportações mais caras, enquanto obtêm mais recursos para restringir as liquidações no futuro.

Sob pressão

O índice Bloomberg das 20 moedas principais dos mercados emergentes ganhou 4,5% desde que chegou a 88,9417 no dia 3 de fevereiro, o nível mais baixo desde abril de 2009. Ele subiu 0,8% em maio, seu quarto mês de ganhos, o mais longo intervalo desde um rali de cinco meses que terminou em julho de 2009. A medida estava em 92,9685 ontem em Nova York.

Dos doze maiores detentores de reserva entre as economias em desenvolvimento, a Índia, a Indonésia e a Turquia tiveram o maior aumento de suas posses, pois os esforços governamentais para controlar a volatilidade e estreitar os déficits de contas correntes conseguiram atrair novamente os investidores estrangeiros.

“Alguns países cujas reservas pareciam estar sob pressão, como a Índia e a Indonésia, se recuperaram”, disse Alan Ruskin, diretor global de câmbio estrangeiro do G10 no Deutsche Bank AG em Nova York, em entrevista telefônica no dia 7 de maio.

Para os países cujo crescimento econômico depende das exportações, aumentar as reservas ajuda a amenizar os ganhos cambiais para manter a competitividade nos mercados globais. A Colômbia observou um crescimento de 0,7% em suas reservas em março, para US$ 41,8 bilhões, o maior aumento desde setembro, pois o avanço de quase 5 por cento do peso nos três últimos meses, possibilitou a compra da moeda dos EUA a um preço baixo.

Ganhar tempo

O Ministério da Fazenda do país andino, que exporta carvão, petróleo e café, começará a comprar dólares novamente, pois uma taxa de câmbio competitiva é “para o benefício do país”, comentou o ministro Mauricio Cárdenas ontem pelo Twitter.

“A valorização do peso faz com que este seja um momento propício para comprar esses dólares”, disse Adolfo Meisel, um dos diretores do Banco Central, em uma entrevista em Bogotá, no dia 2 de maio. “Isso emite o sinal de que, caso ocorra alguma reação exagerada no curto prazo, isso ajudaria a moderar essa reação”.

“Uma moeda muito valorizada vai reduzir, no curto prazo, a competitividade da economia local; tentar aproveitar ao máximo os influxos aumentando as reservas internacionais é uma decisão lógica”, disse Gabriel Gersztein, diretor de estratégia do BNP Paribas para a América Latina, em São Paulo, no dia 7 de maio. “Um país com um alto nível de reservas é um país mais preparado para suportar qualquer tipo de crise financeira”.

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