Por marta.valim
“Em minha opinião, o forward guidance pode representar mais uma etapa no processo de aperfeiçoamento da comunicação dos bancos centrais, ao sinalizar com mais clareza a expectativa da trajetória da taxa de política”, afirmou Tombini.Divulgação

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, acredita que sinalizar a atuação da autoridade monetária, adiantando o que ela fará para atingir suas metas, reduz incertezas sobre a trajetória da taxa de juros. O forward guidance (orientação futura), como é conhecido o instrumento, foi tratado com simpatia pelo presidente no discurso de encerramento do XVI Seminário de Metas para a Inflação, realizado pelo BC na semana passada no Rio de Janeiro.

“Em minha opinião, o forward guidance pode representar mais uma etapa no processo de aperfeiçoamento da comunicação dos bancos centrais, ao sinalizar com mais clareza a expectativa da trajetória da taxa de política”, afirmou Tombini. No discurso, o presidente do BC questionava o futuro de instrumentos não tradicionais da política monetária que ganharam destaque no combate à crise financeira mundial em 2008. Nos países que o adotaram, disse, “o forward guidance, por exemplo, foi e está sendo importante para ancorar as expectativas”. A ferramenta é utilizada atualmente pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e está sendo estudado pela autoridade monetária europeia.

“Entendi que o Tombini falou de maneira geral sobre as políticas adotadas pelos bancos centrais do mundo. Mas é claro que ele está estudando o forward guidance”, disse Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners. “Penso que foi uma maneira de dizer que o BC está preparado para implantar a ferramenta, se for o caso”, comentou.

Eduardo Velho lembra que, durante o atual ciclo de alta da Selic, iniciado em abril de 2013, algumas comunicações do BC revelaram questionamentos da autoridade monetária sobre a eficácia da taxa de juros para conter a inflação. “A inflação se manter alta após tanto tempo de aperto monetário pôs em dúvida se somente a Selic seria capaz de entregar o que a política monetária espera.

Acho que o BC tem de estar apto a usar uma ferramenta como o foward guidance mesmo com a normalização da política monetária norte-americana, marcada pelo programa de desmonte do quantitative easing”, disse Velho, ressalvando que a taxa de juros continua sendo o instrumento mais importante na caixa de ferramentas do BC.O quantitative easing, outro instrumento não tradicional usado para combater os efeitos da crise, também foi analisado por Tombini no discurso.

A utilização do balanço dos bancos centrais, que nesse modelo compram mais títulos do que emitem com o intuito de despejar dinheiro na economia, não despertou tanta simpatia do presidente. Em relação à estratégia, Tombini disse ser “um pouco mais cético, pois identifico alguns riscos. O principal deles o risco financeiro que esse instrumento impõe ao balanço”.

Atualmente, o programa de expansão da liquidez está em fase de desmonte nos Estados Unidos, a pleno vapor no Japão, e em fase de estudos na Europa.
Também no discurso, Tombini aproveitou para enaltecer o regime de metas para a inflação, política que comemora 15 anos de aplicação neste ano. "O regime de metas para a inflação é um compromisso claro com a estabilidade de preços, mas detém flexibilidade suficiente para absorver choques econômicos, minimizando desvios abruptos do produto em relação ao seu potencial", afirmou.

A meta para o indicador é, atualmente, 4,5%, com margem de variação de 2% para cima ou para baixo. Durante o atual governo, o IPCA não ficou abaixo de 5,8%.
Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco e moderador de um dos painéis do seminário, destacou a eficácia da atual política econômica - incluindo a monetária - para a criação de empregos. “O objetivo final da política econômica é levar o país ao pleno emprego. Vimos um estudo hoje que mostra o Brasil com o indicador melhor do que essa meta”.

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