Por parroyo

São Paulo - A proximidade do início da Copa do Mundo já se reflete no Ibovespa. Na última semana, em quatro dos cinco pregões, o volume médio diário de negócios de maio, de R$ 4,8 bilhões, não foi alcançado. O movimento deve persistir nas próximas sessões e a expectativa é que o índice fique estagnado perto do patamar de 51.500 pontos, de acordo com o diretor da escola de investimentos, Leandro & Stormer, Leandro Rushel.

“Há um sentimento de que o mercado vai ficar parado”, disse Rushel, para quem o Ibovespa já opera em tendência de baixa. O principal índice da Bovespa, pressionado pelo setor financeiro e pela Vale, terminou o pregão desta sexta-feira com recuo de 1,91%, para os 51.239 pontos. Em maio, a queda acumulada foi de 0,75%. No ano, o placar positivo foi revertido para perda de 0,52%.

Na quinta-feira, o Banco Central divulga a Ata referente a última reunião do CopomElza Fiuza/ABr

O analista da Ativa Corretora Lenon Borges aponta um viés negativo para o Ibovespa tanto na semana quanto para o mês de junho. “Os feriados e a Copa do Mundo devem afetar o desempenho de alguns setores como varejo e construção. Além disso, o início das férias no Hemisfério Norte deve diminuir ainda mais o volume de negócios”, afirmou. Para sinalizar uma recuperação e retomar a tendência de alta, o Ibovespa teria que ultrapassar a faixa dos 52.300 pontos.

A semana já começa agitada. Na segunda-feira, o mercado deve reagir ao desempenho da indústria da China após a divulgação do Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) no sábado à noite. A projeção média do mercado, medida pela Bloomberg, é que o indicador apresente ligeira melhora ao subir de 50,4, para 50,7 pontos entre abril e maio. Números acima de 50 pontos indicam avanço na atividade.

“Um resultado mais fraco que esse pode pressionar ainda mais os papéis da Vale e das siderúrgicas. Entretanto, caso o número venha em linha com a projeção, as ações não devem ser impulsionadas de maneira contundente”, disse Borges. Os ativos da mineradora e das companhias do setor siderúrgico caíram nas últimas sessões como reflexo do recuo no preço do minério de ferro no mercado chinês, que atingiu o valor mínimo em 20 meses, ao ser negociado a US$ 91,8 a tonelada.

Na segunda-feira, o comportamento do setor de serviços da China em maio será mensurado também pelo Índice Gerente de Compras, que em abril teve um desempenho mais forte que a indústria ao atingir 54,8 pontos.

Na agenda doméstica, a produção industrial do mês de abril, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o destaque da quarta-feira. Será o primeiro indicador que vai mensurar o desempenho da economia no segundo trimestre. “Após o PIB ter mostrado tímido avanço de 0,2% nos primeiros três meses do ano, existe a expectativa de que no segundo trimestre a economia mostre retração”, disse o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa.

A Ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) referente à última reunião, quando os membros decidiram pela manutenção da taxa básica de juros em 11% ao ano, será divulgada na quinta-feira. Os agentes do mercado irão buscar no relatório alguma pista sobre quanto tempo irá durar a pausa no ciclo de alta da Selic. “Mesmo com a inflação desacelerando, a autoridade monetária está com o dedo no gatilho para um novo aumento, que se ocorrer, deve ser somente depois das eleições”, disse Rosa.

Na sexta-feira, a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), será conhecida. De acordo com projeção de Rosa, o índice deve desacelerar de 0,67% em abril para 0,44% em maio.

Entre os indicadores externos, o mais esperado será o relatório geral de emprego dos Estados Unidos, o Payroll, a ser apresentado na sexta-feira. O dado será um termômetro para o comportamento da economia no segundo trimestre do ano, uma vez que nos três primeiros meses, o PIB foi pressionado pelos problemas climáticos e caiu 1%.

Na quinta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulgará o Livro Bege, um relatório sobre o desempenho da economia. Neste mesmo dia, no velho continente, o Banco Central Europeu (BCE) pode anunciar uma taxa básica de juros neutra em meio ao crescimento moderado dos países do bloco e da inflação controlada. “Caso isso aconteça, o real pode até se apreciar em relação ao euro, mas o impacto não será muito grande aqui”, completou Rosa.

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