Por parroyo

Uma série de notícias negativas pesou na decisão dos investidores e o movimento vendedor prevaleceu na bolsa, o que levou o Ibovespa a ter o pior pregão do mês ao recuar 1,58%, para os 53.425 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,3 bilhões.

Ação do Bradesco cai 4,57% e lidera as perdas do diaReprodução Internet

O índice foi pressionado pelas ações da Petrobras e do setor bancário. Petrobras ON foi destaque de queda ao recuar 3,34%. A estatal terá de pagar à União R$ 15 bilhões até 2018 para explorar reservas estimadas em até 15 bilhões de barris após a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovar a contratação direta da companhia para produção do volume excedente ao contratado sob o regime de cessão onerosa em quatro áreas do pré-sal.

O gerente de renda variável da H.Commcor, Ariovaldo Santos, destaca que a opinião dos bancos em relação à obrigação da estatal foi distinta. “Alguns relatórios apontaram que a decisão não seria tão negativa para a empresa; outros discordaram. Mas de todo modo, é mais uma dívida para a companhia que busca diminuir a alavancagem”, afirmou.

O setor financeiro também pressionou o Ibovespa. Bradesco PN liderou as baixas do dia ao recuar 4,57%. Itaú PN caiu 3,18% e Banco do Brasil ON retraiu 1,28%. A nota de crédito do Banco Central (BC), embora tenha apontado leve alta do crédito em maio, destacou a desaceleração na comparação anual, aumento da inadimplência e recuo no crédito para a aquisição de veículos.

As perdas do Ibovespa foram acentuadas no meio da tarde, após a agência de classificação de risco Moody’s ter divulgado um comentário sobre a nota de crédito do Brasil, que atualmente está no patamar de grau de investimento e tem perspectiva estável. A agência afirmou que uma mudança na avaliação do rating vai ser determinada pelo sucesso ou não do próximo governo em reverter as tendências econômicas negativas e impulsionar o crescimento do país.

“O comentário da Moody’s pesou sobre o mercado à medida que os comentários de que um rebaixamento da nota de crédito do Brasil ganharam força entre os investidores”, disse Santos.

Estados Unidos

Embora o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao primeiro trimestre tenha vindo pior que o esperado – queda de 2,9% enquanto a expectativa era retração de 1,8% – os principais índices encerraram em campo positivo. O Dow Jones subiu 0,29%, o S&P teve alta de 0,49% e o Nasdaq avançou 0,68%.

Vale destacar que o desempenho da economia americana foi impactado pelo inverno rigoroso, que castigou o Hemisfério Norte. Além disso, os dados do segundo trimestre, principalmente aqueles relacionados ao mercado imobiliário, têm mostrado força.

Dólar

A moeda americana teve queda de 0,93% frente o real e terminou cotada a R$ 2,206 na venda – o menor patamar desde o dia 10 de abril. O movimento foi reflexo do PIB negativo dos Estados Unidos e também do anúncio feito pelo BC na noite de ontem sobre a manutenção do programa de Swap até o fim do ano, o que garante liquidez ao mercado.

“Parte do mercado esperava essa atitude da autoridade monetária”, afirmou o sócio da Leme Investimentos Paulo Petrassi, para quem o dólar deve se acomodar dentro da banda de R$ 2,19 até R$ 2,23. “A divisa só foge desse patamar caso a economia americana mostre crescimento acentuado e o Federal Reserve decida elevar os juros, o que diminuiria o fluxo de dólares por aqui”, completou.

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